ao partir da sua estação central, na praça da Republica, serve as zonas
urbana e suburbana do Rio de Janeiro, pertencentes ao Districto Federal,
até á estação de D. Clara.
N’esse perimetro, foi o seguinte o movimento geral, no 1.º trimestre de
1908:
1.ª classe:
1:487:884 viajantes Réis 379:838:860
2.ª classe:
3:523:405 viajantes Réis 583:641:700
Total—5:011:359 viajantes, cujas -----------
passagens custaram 953:480:560
São 19 as estações d’esta Estrada, situadas no territorio do Districto
Federal, 8 das quaes são tambem servidas por bondes, ou tramways
electricos e a tracção animal.
A Estrada de Ferro Central do Brasil, que já tem em trafego 1:360:000
kilometros, liga a capital da Republica aos Estados do Rio de Janeiro, S.
Paulo e Minas Geraes, e será prolongada aos Estados de Goyaz e da Bahia,
a este pelo fertilissimo valle do grande rio S. Francisco.
Da estação de S. Francisco Xavier, suburbio fluminense, começa o trafego
da _Leopoldina Railway Company_, que atravessa a zona federal de Irajá e
dirige-se á cidade de Petropolis.
Da Ponta do Cajú, arrabalde do Rio de Janeiro, parte o material da
_Estrada de Ferro do Rio do Ouro_, especialmente construida para o
serviço de abastecimento de agua á colossal metropole, mas tambem
transporta passageiros e carga, no percurso total de 60 kilometros e 247
metros, com 24 estações, até ao Rio S. Pedro, na serra do Tinguá.
* * * * *
A outr’ora _Botanical Garden Rail Road Company_, e desde 1882, Companhia
Ferro Carril do Jardim Botanico, é a mais poderosa empreza de viação
urbana da capital brasileira. O seu serviço publico teve inicio em
Outubro de 1868, cinco annos antes de ser inaugurada, em Paris, a
primeira linha de identico systema de viação, da Praça da Concordia
a Sévres. A tracção da _Jardim Botanico_, foi mudada de animal para
electrica em 1891. A sua estação inicial é na Avenida Central, e a
principal é no extremo do Cattete; praça Duque de Caxias. Aqui bifurca-se
ás Larangeiras e por Botafogo até á Gávea, seu ponto terminal, a 11:880
metros da Avenida Central. A bitola d’esta linha é larga de 1,ᵐ44. A
extensão total das linhas d’esta Companhia, é de 79:000 metros.
A velocidade média é de 150 metros por minuto. É tambem esta empreza que
serve os habitantes e visitantes das praias do Leme, Copacabana e Ipanema.
* * * * *
A _Companhia Ferro Carril da Villa Izabel_, serve os arrabaldes do
Andarahy, Villa Izabel e Engenho Novo, communicando-os, por tracção
electrica, com o centro commercial da cidade. A bitola é de 1,ᵐ44,
partindo os seus carros da praça Tiradentes, para um percurso total de
49:000 metros. A mais extensa das suas linhas, a do Engenho Novo, attinge
11:650 metros de comprimento.
Esta empreza tambem serve os povoados suburbanos de Jacaré, Bocca do
Matto, e Cachamby, ligando-os com as estações de Engenho Novo, Meyer e
Todos os Santos, da Estrada de Ferro Central, em um percurso total de
10:000 metros e com a bitola de 1 metro, a tracção animal.
* * * * *
A _Companhia Ferro Carril de S. Christovão_, outr’ora _Rail Street
Company_, mantem ainda a tracção animal e é a que possúe maior numero de
linhas, que são as seguintes:
Do Largo de S. Francisco á Tijuca 10:630ᵐˢ.
» » » » ao Jockey Club 10:134 »
» » » á Ponta do Cajú 9:036 »
» » » » Praça Marechal Deodoro 7:194 »
Do Largo de ao Rio Comprido 5:845 »
» » de a Itapagipe 5:469 »
» » de » Itapirú 4:964 »
» » de » Estacio de Sá 4:203 »
» » de » Catumby 4:000 »
---------
Total 61:435ᵐˢ.
As linhas do Uruguay, S. Januario, Fabrica das Chitas, Santa Alexandrina,
Bispo, S. Francisco Xavier e Alegria, são intermediarias das anteriores.
A bitola é de 1,ᵐ35. A média do transporte annual é de 20:000:000 de
passageiros, em 850:000 viagens.
* * * * *
A mais _carioca_, todavia, das emprezas de viação urbana do Rio de
Janeiro, a que não transpõem os limites da cidade, é a Companhia Carris
Urbanos, de tracção animal e bitola estreita, que deslisa o seu material
por 15 linhas differentes.
Quatro partem do _Boulevard_ Carceler, ou rua Primeiro de Março, em
direcção ás praças da Carioca, Tiradentes e da Republica, terminando o
seu trafego na praça Onze de Junho e nos extremos das ruas do Visconde de
Sapucahy, Sant’Anna, Riachuelo e largo da Lapa.
Seis linhas teem o seu inicio na Praça Quinze de Novembro, junto da
estação das barcas de Nictheroy, e seguem até á Saúde, Gambôa, Estrada de
Ferro e Canal do Mangue.
Cinco linhas cruzam da Estrada de Ferro ao largo de S. Francisco de
Paula, da Gambôa ao Arsenal de Marinha e do Largo da Lapa ao de S.
Francisco. As linhas, estendidas, occupariam 70 kilometros, com a bitola
de 0,ᵐ80. Regula transportar, annualmente, 34 milhões de passageiros.
* * * * *
A _Companhia Ferro Carril Carioca_, a tracção electrica, tem a sua
estação central no largo da Carioca, que communica com o morro de Santa
Thereza, Paula Mattos e Silvestre. É a mais pittoresca das linhas
fluminenses, cuja belleza foi descripta no capitulo—_Da Carioca ao
Somaré_.
E mais surprehendente de formosura natural será ainda quando estivér
concluido o prolongamento ao Alto da Bôa Vista, na Tijuca. O percurso
actual é de cêrca de uma hora de viagem. Era 1904 os carros d’esta
empreza transportaram 1:134:787 passageiros, em 76:860 viagens.
Da Estrada de Ferro do Corcovado já nos occupamos no capitulo—_Corcovado_.
* * * * *
Além das já citadas, partem da Capital Federal as seguintes vias de
communicação para o exterior:
—Barcas da Prainha a Mauá, isto é, do Rio de Janeiro a Petropolis.
—Barcas da Prainha a Sant’Anna de Maruhy, ou entre o Rio e Friburgo.
—Barcas da Prainha á Piedade, ou Therezopolis.
—Barcas da _Companhia Cantareira_ e _Viação Fluminense_, serviço
permanente e rapido entre a capital e a cidade fronteira de Nictheroy.
Ha uma dezena de companhias nacionaes e estrangeiras, de navegação, que
communicam o Rio de Janeiro com os Estados maritimos da União e, directa
e indirectamente, com todo o nosso planeta.
Imprensa
A primeira das potencias moraes que orientam as sociedades modernas, tem
um dos seus principaes nucleos de expansão e influencia na grandiosa
metropole brasileira. Se muitos e eminentissimos jornalistas que, no
Rio de Janeiro, sublimaram a divina instituição da imprensa aos páramos
da immortalidade, já desappareceram, materialmente, na frialdade dos
sepulchros, a sua obra ficou e será uma das mais brilhantes fulgurações
da gloria do Brasil.
Outros gigantes da penna e do pensamento os substituiram, e os rutilantes
nomes de Ferreira de Araujo, Joaquim Serra, Machado de Assis, Arthur de
Azevedo, Saldanha Marinho, Evaristo da Veiga, Ferreira de Menezes, José
do Patrocinio e os de tantos outros sacerdotes da imprensa, reflectem-se
em Ruy Barbosa, Quintino Bocayuva, Coelho Netto, Olavo Bilac, Ubaldino
do Amaral, Nuno de Andrade, Sylvio Romero, Ferreira da Rosa, Edmundo
Bettencourt, Eduardo Salamonde, Alcindo Guanabara, José Verissimo,
Virgilio Varzea, Paulo Barreto e em outros muitos, para que sejam
mantidas as gloriosas tradições do jornalismo fluminense.
O _Jornal do Commercio_, decano da imprensa fluminense; a _Gazeta de
Noticias_; _O Paiz_; o _Jornal do Brasil_; a _Noticia_; _A Imprensa_;
_A Tribuna_; o _Correio da Manhã_; o _Diario do Commercio_; _O Seculo_;
_O Correio da Noite_ e numerosos outros orgãos diarios, matinaes e
vespertinos, e periodicos da opinião carioca, abrilhantam a intensa
vida social da maravilhosa capital do Brasil e collaboram efficaz e
incessantemente no movimento ascencional da nacionalidade brasileira para
a meta dos seus gloriosos destinos.
O jornal é indispensavel ao fluminense, como parte integrante da sua
propria natureza; elle o desdobra nas ruas, nos bondes, nos cafés, nas
residencias e até durante as refeições; o que explica o extraordinario
desenvolvimento de muitas emprezas jornalisticas do Rio de Janeiro
que, além dos melhoramentos materiaes introduzidos nas suas officinas
e patenteados nos seus periodicos, levantam soberbos palacios, para a
propria séde, na Avenida Central e em outras das novas e grandiosas
arterias da soberba metropole. D’entre elles destaca-se o do _Jornal
do Commercio_, em via de conclusão, na Avenida Central, que brevemente
substituirá o velho casarão onde, ha mais de meio seculo, está
installado o primeiro jornal da America do Sul.
Dos semanarios illustrados, destacam-se o _Fon-Fon_, _A Careta_, _A
Semana Illustrada_, _O Degas_, _O Tico-Tico_, para creanças, e _O Malho_,
que é o de maior circulação.
_A Leitura para Todos_ é uma revista mensal, propriedade da empreza d’_A
Tribuna_, assim como o semanario _Tico-Tico_.
Dos orgãos vespertinos o mais lido é _A Noticia_, excellentemente
redigido, como quasi todos os jornaes brasileiros. Os mais rendosos são o
_Jornal do Commercio_, que tem feito fortunas, e o _Jornal do Brasil_.
Quintino Bocayuva, o principe dos jornalistas brasileiros, e talvez
sul-americanos, está, infelizmente, arredado das pugnas da imprensa; mas
o seu nome fulgirá, ainda por muitissimo tempo, como estrella de primeira
grandeza.
Dos mortos, José do Patrocinio e Ferreira de Araujo eram organisações
jornalisticas completas, e que fariam a gloria da imprensa dos mais
adeantados paizes do globo.
Ha a citar ainda, _O Diario Official_, _O Brasil Medico_, _Revista
Medica_, _Revista de Engenharia_, _Kosmos_, _Os Annaes_, _A Rua do
Ouvidor_ e _Rio Nú_. Diariamente apparecem e desapparecem publicações de
varia indole.
Commercio e Industria
Ao findar o seculo XVIII, em 1799, a cidade de S. Sebastião do Rio
de Janeiro, com 43:376 habitantes, possuia 97 estabelecimentos
commerciaes, em todos os generos. Actualmente, com cêrca de 900:000
moradores, a capital do Brasil encerra um numero approximado de 22:000
casas de negocio, incluindo os arrabaldes e suburbios. Sóbe a 7:000 o
numero de vendedores ambulantes de todas as especies de commercio. Os
estabelecimentos commerciaes pagam, annualmente, á municipalidade, cêrca
de 3:000 contos de alvará, ou licença, e os vendedores ambulantes, 500
contos.
Quanto a fabricas, funccionam cêrca de 250, de todas as industrias, a
maior parte na zona suburbana. As mais numerosas são as de calçado, aguas
gazozas, flôres, doces, gravatas, chapeus e de colletes para senhora.
Os estabelecimentos commerciaes mais numerosos, são os armazens de
generos alimenticios, seguindo-se os açougues, as padarias, os hoteis e
hospedarias, os botequins e bilhares, as casas de pasto, os barbeiros,
as alfaiatarias, as pharmacias, os armarinhos, as lojas de calçado e as
charutarias.
Em menor proporção figuram os armazens de fazenda e artigos de moda,
as chapelarias, as drogarias, as typographias, as livrarias, os
estabelecimentos de pianos, as luvarias, os joalheiros, as lithographias,
as photographias e as lojas de chapéus para senhora.
O maior numero de officinas é de carpinteiro e marceneiro, vindo depois
as colchoarias, serrarias, as officinas de encadernação, os marmoristas e
os estaleiros, que eram 14 em 1906.
_A Junta Commercial da Capital Federal_, regulamentada por decreto de
1890, composta de sete deputados, commerciantes, de um secretario e de
tres supplentes, estes tambem membros do commercio, tem as seguintes
attribuições:—Matricular os commerciantes e sociedades commerciaes; os
trapicheiros e administradores de armazens de deposito, assim como todas
as pessôas idoneas que pretenderem estabelecer emprezas commerciaes.
—Nomear correctores de mercadorias e de navios; leiloeiros, interpretes e
avaliadores commerciaes.
—Rubricar os livros dos commerciantes e sociedades de commercio, das
companhias ou sociedades anonymas e dos trapicheiros.
—Admittir á assignatura do termo de fiel depositario o pretendente á
concessão de entreposto particular.
—Registar as nomeações de guarda-livros, caixeiros e outros quaesquer
propostos de casas commerciaes; as marcas de fabrica e de commercio,
nacionaes e estrangeiras; as firmas e razões commerciaes e quaesquer
documentos que, por lei, teem de constar de registro publico do Commercio.
—Archivar um exemplar dos contractos, suas prorogações, alterações
e distractos de sociedades commerciaes; dos contractos ou estatutos
das companhias ou sociedades anonymas, nacionaes e estrangeiras, e
das sociedades em commandita por acções, com a lista nominativa dos
subscriptores, e das marcas inscriptas no Registro Internacional.
—Representar, informar e consultar o Governo da União, sobre a
necessidade de interpretar, modificar ou revogar alguma lei, regulamento
ou instrucção, e de reprimir abusos de funccionarios publicos, ou de
commerciantes e agentes auxiliares do Commercio, sobre os interesses do
Commercio e da Industria.
—Processar administrativamente os funccionarios do Commercio que
transgredirem as leis commerciaes, impondo-lhes a pena de multa,
suspensão, destituição ou cassação de matricula.
Das decisões d’esta Junta, ha recurso para o ministro da Justiça e
Negocios do Interior.
Os deputados e supplentes são eleitos pelo Collegio Commercial e pelo
prazo de quatro annos. D’elles o ministro da Justiça escolhe o presidente
e nomeia um secretario d’entre os cidadãos graduados em sciencias
juridicas e sociaes.
* * * * *
Em 1906, o commercio exterior do Brasil ascendeu á cifra de um milhão
e quatrocentos mil contos, tres quartas partes do qual pertence á
actividade dos portos do Rio de Janeiro e de Santos.
O movimento maritimo, annual, do porto da Capital Federal é, na média,
comparando as estatisticas dos ultimos cincos annos, de 600 embarcações
á véla e 2:400 a vapor, entradas e saídas, representando 3.000:000 de
toneladas.
Porto do Rio de Janeiro
A incomparavel e formosissima bahia de Guanabara, ou do Rio de Janeiro,
com 140 kilometros de circumferencia, 30 kilometros de comprimento e 28
de largura, era bem digna do auxilio dos seus possuidores na construcção
de um porto commercial a aproveitar-lhe as riquezas naturaes e a
facilitar o importantissimo commercio da capital da Republica.
Esta obra colossal, iniciada em 20 de Março de 1904, deve ficar concluida
em 1910, e é de todos os grandes melhoramentos da metropole fluminense, o
mais gigantesco e util ao seu futuro.
É devido á iniciativa do dr. Lauro Müller, quando ministro da Viação e
Obras Publicas, na Presidencia do dr. Francisco de Paula Rodrigues Alves.
Para a sua realisação, foi levantado um emprestimo de 8:500:000 libras,
tres vezes coberto na praça de Londres.
É constructora, por contracto, a firma J. C. Walcker & C.ª
Se o novo porto, propriamente dito, começa na Ponta do Cajú e termina na
Avenida Central, na extensão de 7:200 metros, póde dizer-se que as obras
demandadas pelo seu trafego e pelo aformoseamento das suas dependencias,
teem o seu inicio na praça Onze de Junho, com a dupla, magestosa e
novissima Avenida do Mangue, empolgante de belleza.
Ella substituiu uma série de pantanos immundos e prejudicialissimos
á saúde publica e á segurança individual. Além da quadrupla fila de
altas e elegantes palmeiras, que ladeiam o canal do Mangue, a Avenida,
cujo centro é cortado por essa arteria liquida, ostenta, por sua vez,
outras tantas fileiras do mesmo vegetal, que lhe seguem e aformoseiam a
arrebatadora trajectoria.
No ponto em que as aguas do canal entram na amplissima bahia, a Avenida
contorna, dos dois lados, os caes acostaveis, seguindo-os ás suas
extremidades. O paredão, para encosto e descarga das grandes embarcações,
terá a extensão total de 3:750 metros, estando já promptos uns 2:000
metros. É de fortissimo granito, tem a altura de 25 metros e enfrenta
uma faixa liquida e livre de 250 metros de largura, cujos trabalhos de
drenagem, pela abundancia de lama e de varios dectrictos, constituem
um esforço assombroso do trabalho humano. De 30 em 30 metros, grossos
pégões de ferro, fundidos no granito, offerecem sólida amarração aos
transatlanticos, e uma galeria subterranea acompanha toda a extensão das
muralhas, para a conducção dos varios encanamentos exigidos pelo serviço
publico.
Vastissimos armazens erguem-se defronte dos caes acostaveis, e entre
estes e aquelles passa um ramal da Estrada de Ferro Central do Brasil.
A construcção d’este porto, trouxe tambem a vantagem da eliminação das
velhas edificações, a desmoronarem-se e anti-hygienicas, dos bairros da
Gambôa e da Saúde, lado do mar, e o desapparecimento dos ilheus Pombeba,
Santa Barbara, Melões, Moças e Ferreiros que, pela proximidade da terra
firme, serviam de depositos de immundicies e de refugios de malfeitores.
De hoje em deante, a carga e descarga de mercadorias, que era feita
das grandes embarcações para as fragatas e vice-versa, com atrazo de
semanas e de mezes, terá rapido despacho, como o exigem a importancia e
grandeza do porto do Rio de Janeiro e as necessidades do seu commercio de
importação e exportação. Concluidas todas as obras e adoptadas as medidas
de largo alcance administrativo e economico, tendentes ao desenvolvimento
da riqueza nacional, este porto será não só o primeiro da America do Sul,
mas tambem um dos mais importantes do mundo.
A commissão de engenheiros, encarregada de estudar o projecto das obras
do porto, orçamentou a sua construcção em 86:000 contos de réis, além das
desapropriações já feitas no seu trajecto.
Recenseamento
O ultimo recenseamento official e o mais regular e completo que se
tem feito no Rio de Janeiro, é datado de 20 de Setembro de 1906, e dá
as cifras de 463:453 homens e 347:990 mulheres, sommando um total de
811:443 habitantes. Conhecida a reluctancia popular para o recenseamento,
especialmente nas classes incultas, com receio do augmento de impostos e
do serviço militar; attendendo á transformação, recentissima, da cidade e
á era de paz, de trabalho e de desenvolvimento que o Brasil actualmente
desfructa, não é exaggero calcular-se a população da sua capital em
900:000 habitantes, numero redondo, incluindo os arrabaldes e suburbios.
O penultimo recenseamento data de 1890, accusando uma população
fluminense de 522:651 individuos.
Eis a divisão dos habitantes pelos 25 actuaes districtos municipaes do
Districto Federal, ou seja da cidade do Rio de Janeiro, arrabaldes e
suburbios:
Candelaria 4:454
Santa Rita 45:929
Sacramento 24:612
S. José 42:980
Santo Antonio 38:996
Santa Thereza 7:971
Gloria 57:477
Lagôa 47:992
Gavea 12:570
Sant’Anna 37:266
Gambôa 42:049
Espirito Santo 57:682
S. Christovão 45:098
Engenho Velho 37:695
Andarahy 48:556
Tijuca 7:708
Engenho Novo 28:422
Meyer 34:476
Inhaúma 67:478
Irajá 27:406
Jacarépaguá 14:980
Campo Grande 31:248
Guaratiba 17:928
Santa Cruz 15:380
Ilhas 8:982
-------
População terrestre 805:335
» maritima 6:108
-------
811:443
Quadro de instrucção da população do Rio de Janeiro:
Edade Sabem lêr Não sabem lêr Total
6 a 15 annos 71:041 78:405 149:446
7 » » » 68:829 63:769 132:598
8 » » » 64:392 50:993 115:385
9 » » » 58:253 40:329 98:582
10 » » » 50:740 31:978 82:718
11 » » » 41:291 23:728 65:019
12 » » » 32:488 17:876 50:364
13 » » » 21:181 10:679 31:860
14 » » » 107:083 5:293 112:376
Menores de 6 annos havia, pelo ultimo recenseamento official, o de 20 de
Setembro de 1906, 106:853 analphabetos, sendo 57:606 do sexo masculino
e 49:247 do feminino, e 1035 que já sabiam lêr e escrever, 515 do sexo
masculino e 520 do feminino. Maiores, de 15 annos, eram analphabetos
103:803 homens e 101:310 mulheres, sabendo lêr e escrever, 221:404 homens
e 117:592 mulheres.
A area total do Rio de Janeiro é de 1:116:593:000 metros quadrados,
da qual a setima parte, ou sejam 158:316:000 metros, constitue a zona
urbana, com a densidade de 3:928 habitantes por kilometro quadrado.
Na zona suburbana, a densidade é de 191.
O numero de predios, no Districto Federal era, em 1906, de 84:375, e o de
domicilios, de 83:686.
Sexualmente considerada, a população fluminense, em cada milhar de
creaturas, dá 571 homens e 429 mulheres.
Quadro da população, por edades e sexos:
Edade Homens Mulheres Total
1 anno 9:653 8:487 18:140
2 annos 8:890 7:560 16:450
3 » 10:740 9:145 19:885
4 » 10:081 8:471 18:552
5 » 9:485 8:219 17:704
6 » 9:272 7:885 17:157
7 » 9:060 7:788 16:848
8 » 9:175 8:038 17:213
9 » 9:178 7:625 16:803
10 » 8:558 7:306 15:864
11 » 9:618 8:081 17:699
12 » 7:731 6:924 14:655
13 » 10:039 8:465 18:504
14 » 8:203 7:581 15:784
15 » 8:563 7:513 16:076
20 » 42:794 37:299 80:093
25 » 55:439 35:898 91:337
30 » 51:270 31:962 83:232
35 » 40:576 25:502 66:078
40 » 35:165 23:360 58:525
45 » 29:650 19:150 48:904
50 » 20:965 14:303 35:268
55 » 15:883 15:338 31:221
60 » 9:221 7:121 16:342
65 » 6:888 6:737 13:625
70 » 3:463 3:407 6:870
75 » 2:082 2:538 4:620
80 » 1:019 1:279 2:298
85 » 598 941 1:539
90 » 164 292 456
95 » 74 244 318
100 » 46 88 134
Maiores de 100 50 128 178
------- ------- -------
463:453 347:990 811:443
Eram solteiros 270:444, sendo 176:146 homens e 94:298 mulheres; casados
214:730; d’estes 124:904 homens e 89:826 mulheres; viuvos 52:704, 14:227
do sexo masculino e 38:477 do sexo feminino. Ignorava-se o estado civil
de 9:860 homens e 6:311 mulheres. Dos casados 61 eram menores de 15
annos, dos quaes 56 mulheres e 5 homens.
Quadro da população fluminense, por profissões e sexos:
Profissão Homens Mulheres Total
Agricultura horticultura e floricultura 18:605 2:806 21:411
Creação 846 11 857
Caça e pesca 2:410 4 2:414
Pedreiras 890 1 891
Salinas — —
Outras 2 2
Textis 1:924 1:010 2:934
Couros 59 4 63
Madeiras 1:240 1 1:241
Metalurgia 7:140 4 7:144
Ceramica 666 666
Productos chimicos 172 172
Alimentação 3:297 288 3:585
Vestuario 13:523 18:187 31:710
Mobiliario 755 1 756
Edificação 31:785 15 31:800
Construcção de apparelhos de transporte 669 669
Producção de forças physicas 5:301 5:301
Industrias de luxo 3:680 39 3:719
» não classificadas 23:292 2:727 26:019
Transporte maritimo 6:639 9 6:648
Transporte terrestre 14:276 11 14:287
Correios, telegraphos e telephones 1:787 85 1:872
Bancos 76 76
Casas de commissões 634 3 637
Commercio 61:022 1:040 62:062
Exercito 7:133 7:133
Armada 4:639 4:639
Policia 4:059 4:059
Bombeiros 653 653
Municipio 1:232 57 1:289
União 10:965 28 10:993
Estudos (serviços) 63 2 65
Administrações annexas 90 90
Profissões religiosas 346 280 626
» judiciarias 1:804 6 1:810
» sanitarias 3:476 308 3:784
Magisterio 883 1:959 2:842
Sciencias, lettras e artes 2:846 146 2:988
Pessôas que vivem dos seus rendimentos 2:183 1:339 3:522
Serviço domestico 23:174 94:730 117:904
Trabalhadores braçaes 29:514 419 29:933
Profissões mal classificadas 6:289 306 6:595
Classes improductivas 20:549 7:339 27:888
Profissões desconhecidas 25:780 39:712 65:492
Sem profissão declarada:
Menores de 15 annos 91:666 90:980 182:646
Maiores » » » 25:423 84:183 109:556
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463:453 347:990 811:443
Pelo mesmo recenseamento havia, no Rio de Janeiro, em 1906, 312:573
brasileiros, do sexo masculino e 288:355 do feminino; 101:777 portuguezes
e 31:616 portuguezas, 17:148 italianos e 8:409 italianas; 14:110
hespanhoes e 6:589 hespanholas; 1:522 allemães e 1:053 allemãs; 1:173
inglezes e 498 inglezas; 1:678 francezes e 1:796 francezas; 1:417
estrangeiros de outras nacionalidades, do sexo masculino, e 2:364 do
sexo feminino, na seguinte totalidade:
Brasileiros 600:928
Portuguezes 133:393
Italianos 25:557
Hespanhoes 20:699
Allemães 2:565
Inglezes 1:671
Francezes 3:474
De outras nacionalidades 3:781
Segurança Publica
A população fluminense dorme sob a guarda de cinco differentes
collectividades, tres civis e duas militares, 4 das quaes tambem fazem
o policiamento da cidade durante o dia. As corporações puramente
militares são a Brigada Policial e as forças do exercito que fazem
parte da guarnição do Rio de Janeiro. Estas fornecem os contingentes
para as guardas dos edificios e monumentos publicos e auxiliam, em caso
de necessidade, as outras corporações na manutenção da ordem publica.
É muito variavel o numero de unidades do exercito que estacionam na
Capital Federal, por causa das exigencias do serviço, podendo, todavia,
calcular-se em 7:000 as praças das tres armas, infantaria, cavallaria e
artilharia, que habitualmente guarnecem a capital da Republica.