Os camarins, em tres pavimentos, com installação hydrotherapica no 1.º,

são vastos, arejados e profusamente illuminados.

Em um prédio contiguo estão os motores electricos para a illuminação

geral do edificio.

O porão do theatro, está seis metros abaixo do nivel do sólo.

Em caso de incendio, a scena será immediatamente inundada por machinismo

especial.

Todos os relogios da casa funccionam electricamente, pela energia que

lhes é transmittida por um relogio central.

A illuminação da sala é feita por um systema original, que consiste em

lampadas disfarçadas no oval dos balaustres. A mobilia da plateia e dos

camarotes é de mogno vermelho, com incrustações de páu-marfim.

O fundo dos camarotes e galerias é de pellica côr de rosa, bem como as

guarnições das balaustradas.

Ha um ascensor para a communicação geral da caixa do theatro e um salão

para bibliotheca da especialidade. As portas e janellas do _foyer_ são de

carvalho e crystal.

O aspecto geral, como os detalhes, até aos mais minuciosos, obedecem ás

mais modernas condições, de hygiene, aceio e luxo.

Gabinete Portuguez de Leitura

A associação fundadora d’este monumento, data de 10 de Setembro de

1847, e a inauguração do edificio teve logar cincoenta annos depois.

Eleva-se na rua Luiz de Camões, defronte da travessa da Academia, a pouca

distancia do largo de S. Francisco de Paula.

O Gabinete é uma joia artistica, interior e exteriormente, e o mais bello

padrão de gloria da colonia portugueza no Rio de Janeiro.

A frontaria, elegantissima, é de pedra lioz, em estylo manuelino.

Decoram-n’a as estatuas de Camões, Vasco da Gama, Pedro Alvares Cabral e

do Infante D. Henrique.

No interior, além da secretaria e de varias peças interessantes, ha dois

salões notabilissimos pelas dimensões e pela belleza architectonica e

decorativa.

O salão da Bibliotheca, occupa toda a altura do edificio, na dimensão de

23 metros. É ladrilhado a mosaico e illuminado por bellissima claraboia

de vitraes coloridos. Está dividido em tres pavimentos, por galerias

circulares, guarnecidas a columnas de ferro dourado. O golpe de vista é

empolgante e maravilhoso.

As artisticas estantes que forram este salão, comportam 85:000 volumes,

entre elles a mais celebre camoneana do mundo.

O salão nobre, ou de Honra, é decorado com os escudos de todas as cidades

de Portugal.

Ha mais a admirar, o album commemorativo de Eduardo de Lemos, o fundador

do Gabinete; os bustos do mesmo, de Joaquim da Costa Ramalho Ortigão,

de Eça de Queiroz e de D. Carlos I; a miniatura da canhoneira _Patria_,

vitrinas com preciosidades bibliographicas, a mesa da Directoria, etc.

O monumento importou em 592 contos de réis, mas quasi outro tanto se tem

gasto em melhoramentos e reparações.

O Gabinete conta um fundo social de 800 contos e 114 socios benemeritos,

39 honorarios, 26 correspondentes, 1:327 remidos e 357 contribuintes. Foi

architecto do edificio o portuguez Frederico José Branco.

Academia das Bellas Artes

Foi fundada em 1816, pelo vice-rei Conde da Barca, que contratou 11

professores francezes, para as cadeiras de desenho, pintura, esculptura,

architectura e mechanica. Chamou-lhe o fundador, Real Academia de

Desenho, Pintura, Esculptura e Architectura Civil. A frontaria é obra de

Grandjean de Montigny. Nota-se um artistico portão de ferro, do mesmo

artista; baixos relevos, de Zeferino Ferrez; uma sacada com balaustres de

bronze, e seis columnas jonicas; as estatuas de Minerva e de Appolo e, a

rematar, o frontão decorado pela classica quadriga, execução de Ferrez,

como o restante é de Montigny.

Em 1855, este edificio foi augmentado pelo architecto Job Justino de

Alcantara.

A Academia foi inaugurada em 5 de Novembro de 1826, por D. Pedro I, e

por iniciativa do ministro Visconde de S. Leopoldo. A primeira exposição

publica de trabalhos artisticos, teve ahi logar em 1829, expondo, entre

outros, os artistas Debret, Grandjean e Marcos Ferrez.

A sala de leitura é decorada a pinturas de Montigny e de Ferreira, seu

sobrinho. Ha ahi muitos retratos de pintores celebres.

Bibliotheca da especialidade.

Ao subir a dupla escadaria, veem-se quadros de Pedro Americo, Grandjean

e Ferreira. A notar, _Santa Thereza de Jesus_, pelo primeiro. Salão da

Escola Nacional. Ao centro, _Batalha de Avahy_, por Pedro Americo. O

proprio pintor está retratado á frente do regimento n.º 33. Em frente,

_Batalha de Guararapes_, por Victor Meirelles. O _Ultimo Tamoyo_,

esplendido trabalho de Rodolpho Amoedo.

Do mesmo auctor:—_Partida de Jacob_. De Henrique Bernardelli:—_Os

Bandeirantes_.

Segue-se uma galeria de escólas estrangeiras, de pintura, onde está

principalmente representada a escóla italiana. Ha preciosidades

artisticas de Raphael, Rubens, Ticiano, Ribera, Velasquez, e de outros

pintores immortaes, que o visitante não póde apreciar, devido á péssima

exposição dos quadros.

A notar, ainda, _A Noite_, de Pedro Americo.

A collecção artistica d’esta Academia, é avaliada em 4:000 contos. O

magnifico palacio das Bellas Artes, em construcção na Avenida Central

abrigará, brevemente, estas e outras preciosidades esparsas por diversos

edificios da capital da Republica.

Grupos e Estatuas

_Monumento do Centenario_—Na praça da Gloria, que mede 20:000 metros

quadrados, e sobre um pedestal de granito, da altura de 4 metros,

eleva-se o grupo, em bronze, commemorativo do 4.º centenario da

descoberta do Brasil. É alto de 10 metros e consta das figuras bem

lançadas de Pedro Alvares Cabral, Pero Vaz de Caminha e Fr. Henrique

de Coimbra, respectivamente commandante, escrivão e capellão da frota

descobridora.

O monumento é de Rodolpho Bernardelli, e foi encommendado pela Associação

do Quarto Centenario do Descobrimento do Brasil. A arte casa-se aqui com

a imponencia e a formosura do aspecto geral.

* * * * *

_Fonte Ramos Pinto_—Este gracioso e artistico monumento está collocado

ao centro do jardim que aformoseia a Praça da Gloria. Foi offerecido á

cidade do Rio de Janeiro, pelos viticultores portuenses Adriano Ramos

Pinto & Irmão, e é um gigantesco blóco de marmore branco, decorado por

quadros estatuas.

A execução, do esculptor Thevenet, é primorosamente artistica,

especialmente a da figura feminina que, tendo um joelho poisado sobre

uma anfractuosidade da rocha, mostra a parte posterior ao publico. É tão

perfeito este trabalho, que provocou a regeição do prefeito Francisco

Pereira Passos, com o pretexto de que excitaria os instintos libidinosos

das baixas camadas populares. Com grande reluctancia, Thevenet praticou o

enorme delicto artistico de cobrir a estatua com uma ligeira camisa, que

não deixa de accusar-lhe o primôr das fórmas.

* * * * *

_Estatua Equestre de D. Pedro I_—A erecção d’este monumento foi approvada

em sessão do Senado da Camara Municipal do Rio de Janeiro, a 11 de Maio

de 1825. Esta resolução não teve seguimento, bem como outras posteriores

tentativas, até que em 7 de Setembro de 1854, a Camara Municipal

approvou nova proposta do seu presidente, dr. Roberto Jorge Haaddock

Lobo. Para o custeio foi aberta uma subscripção publica, por intermedio

das camaras municipaes de todo o paiz. Tambem foi aberto concurso entre

artistas nacionaes e estrangeiros, cabendo o 1.º premio ao brasileiro

João Maximiano Mafra, quanto ao projecto e desenho, sendo a execução

confiada ao esculptor francez Luiz Rochet, o 3.º concorrente premiado.

A pedra fundamental do monumento foi collocada em 1 de Janeiro de 1862,

realisando-se a inauguração em 30 de Março do mesmo anno. A estatua, que

custou 334:710$375 réis, occupa o centro da praça da Constituição. A base

é de granito, seguindo-se-lhe o pedestal, em bronze, ornamentado a grupos

que representam os grandes rios do Brazil—Amasonas, Paraná, Madeira e S.

Francisco, symbolisados por indigenas, cuja expressão é eminentemente

artistica.

O friso do pedestal é guarnecido por escudos, que representam as vinte

provincias brasileiras. D. Pedro I está a cavallo e em grande uniforme de

general. Na mão direita, o imperador empunha a Carta Constitucional do

Brasil.

O peso total do monumento é de 55:000 kilos. A sua altura é de 3,ᵐ30 na

base, 6,ᵐ40 no pedestal e 6 metros da estatua equestre.

* * * * *

_Estatua do Visconde do Rio Branco_—Eleva-se ao sul da Praça da Gloria,

e a pouca distancia da Fonte Ramos Pinto. É de bronze e foi modelada

e fundida pelo esculptor francez Charpentier. A figura está sentada e

veste o uniforme de senador do imperio. A mão direita descansa sobre dois

livros do Visconde—_A Convenção de 20 de Fevereiro e Collecção de Leis do

Brasil_.

A base, de gneiss do Brasil, sustenta o pedestal, de pedra do Jura, e a

estatua da Historia, em bronze, que lê, em uma tábua, a seguinte phrase

de Tacito—_Autoritate Constantia fama inquantam proeumbante imperatoris

fastigio datus clarus_.

Este monumento foi inaugurado em 13 de Maio de 1902, anniversario da

promulgação da lei que extinguiu a escravidão no Brasil, e em homenagem

ao estadista que fez votar a lei do ventre livre.

* * * * *

_Estatua do Duque de Caxias_—Este primôr de esculptura, talvez o melhor

trabalho de Rodolpho Bernadelli, ergue-se, desde 15 de Agosto de 1899, ao

centro do Jardim e da Praça do Duque de Caxias. O monumento é equestre,

em bronze, e assenta sobre um pedestal de marmore de Carandahy.

São notaveis, como obra de arte, os baixo-relevos que ornam o pedestal.

O marechal, que monta um cavallo de raça, sustenta, na mão direita, um

oculo de alcance.

* * * * *

_Estatua de José de Alencar_—Foi inaugurada em 1897, e ergue-se na

pequena praça que enfrenta o Hotel dos Estrangeiros, entre o Cattete e

Botafogo. É de bronze e de Rodolpho Bernardelli. Alencar está sentado em

uma poltrona que tem, por base, um blóco de marmore cinzento.

Nas quatro faces do pedestal ha baixo-relevos representando scenas de

_Iracema_, do _Guarany_, do _Sertanejo_ e do _Gaúcho_, obras primas do

eminente cearense, que brilhou no romance, no drama, na poesia e no

jornalismo.

* * * * *

_Estatua de João Caetano dos Santos_—Eleva-se defronte da fachada

principal da Academia das Bellas Artes, em um hemicyclo traçado por

Grandjean de Montigny, para dar espaço, ar e luz á primorosa frontaria

do palacio. É obra do esculptor fluminense Chaves Pinheiro, modelada em

1859, no Rio de Janeiro, e fundida em Roma, em 1890. É de bronze, tendo

estado, o modelo, exposto na exposição de Philadelphia, em 1876.

* * * * *

_Estatua do General Osorio_—Foi inaugurada em 12 de Novembro de 1894,

e fundida com o bronze de canhões, tomados aos inimigos da patria. O

monumento é equestre, eleva-se ao centro da praça Quinze de Novembro e

foi modelada por Bernardelli.

Pésa 5:700 kilos. O pedestal é de granito dos Alpes. Em dois

baixo-relevos ha scenas de batalhas ganhas pelo grande cabo de guerra.

Desde 21 de Julho de 1892, que o seu corpo repoisa na crypta do

monumento, tendo sido trasladado do Asylo dos Invalidos da Patria.

* * * * *

_Estatua de José Bonifacio_—Foi esculpturada pelo artista francez

Luiz Rochet, e inaugurada em 7 de Setembro de 1872, 50.º anniversario

da independencia do Brasil. Deve-se este monumento a uma subscripção

popular, iniciada pelo Instituto Historico, que rendeu 60:000:000 réis.

Pesa 18:000 kilos, é de bronze e tem a altura de 2ᵐ,40. O heroe da

independencia é representado de pé, empunhando uma penna com que escreve

o _Manifesto ás Nações_.

A estatua eleva-se defronte da rua do Ouvidor, ao centro do largo de S.

Francisco de Paula.

Egrejas

_Cathedral_—O bispado do Rio de Janeiro foi creado em 1676, tomando o 1.º

bispo conta do seu cargo seis annos depois. A primitiva cathedral foi a

egreja de S. Sebastião, erecta no morro do Castello, berço da cidade.

Em 1703 foi a Sé transferida para o templo da Cruz dos Militares, e em

1720, por algum tempo para a basilica da Candelaria, voltando para a Cruz

dos Militares, em 1773. Devido, porém, ao estado de ruina d’esta egreja,

no mesmo anno, em 1 de Agosto, o cabido sahiu em procissão e dirigiu-se

para a egreja do Rosario, elevando-a a cathedral, contra a vontade dos

pretos, seus proprietarios.

Ainda assim conservou-se ahi a Sé por mais de setenta annos. Em 1808,

o cabido, em virtude de alvará regio, passou para o santuario mandado

construir pelos frades carmelitas, em 1761, ao lado do templo do Carmo,

onde actualmente se conserva. A ermida, precursora d’esta egreja, foi

edificada á beira-mar, e desabou em dia de festividade, matando muitos

fieis.

O interior do templo é ornamentado a trabalho de talha e a estuque

dourado, em estylo barroco, por mestre Ignacio, que iniciou os trabalhos

em 1785. Ha sete altares e duas capellas fundas; uns e outras separados

por balaustres dourados. No corpo da egreja ha tres tribunas de cada

lado, divididas por pilares. É bella a perspectiva interior pela feliz

combinação dos dourados com a guarnição branca, em estuque, e com o

primoroso trabalho de talha. A fachada não pertence a ordem alguma

architectonica. O grande painel da capella-mór foi pintado por José

Leandro de Carvalho.

* * * * *

_Carmo_—Bella e imponente frontaria de granito, em estylo barroco, com um

lindissimo portico lavrado em marmore da Arrabida.

A confraria dos irmãos terceiros do Carmo, do Rio de Janeiro, foi fundada

em 19 de Julho de 1648. A primeira pedra do templo foi lançada em 16 de

Julho de 1755, sendo inaugurado em 11 de Julho de 1770. Custou 91:088$995

réis. As duas formosas torres lateraes á frontaria, só ficaram concluidas

em 1850 e custaram 111:000$000 réis. Um espaço fechado por dois portões

separa esta egreja da Cathedral, ex-capella imperial. O gradil de ferro

que cercava o adro e que custára, em Londres, 1:764$100 réis, foi mandado

retirar, ultimamente, pelo prefeito Pereira Passos, bem como o do

santuario contiguo. Foi no Carmo que se celebrou, em 1792, o Te-Deum em

acção de graças pelo enforcamento de Tiradentes. O templo foi novamente

dourado em 1854. Até 1812 esteve installado o hospital da Ordem, em

edificio annexo, sendo removido para a rua de Riachuelo, em 1870.

O interior da egreja é ornamentado a branco, com toques dourados.

Ha seis altares lateraes e a capella-mór. No corpo principal estão

seis tribunas e dois pulpitos. A luz é filtrada, além do zimborio da

capella-mór, por seis janellas sobrepostas ás tribunas e por tres do

côro, com vitraes coloridos.

* * * * *

_Cruz dos Militares_—Occupava, outr’ora, a beira-mar. Está situada na

rua Primeiro de Março, esquina da do Ouvidor, e a pequena distancia dos

santuarios anteriormente descriptos. É obra dos ultimos annos do seculo

XVIII, sendo seu constructor o brigadeiro José Custodio de Sá e Faria.

Se bem que de elegante aspecto exterior, nada contém esta egreja de

especialmente notavel.

* * * * *

_S. Bento_—Templo e mosteiro situados no vértice da collina de egual

nome, no extremo da rua Primeiro de Março. É simples e sem arte o aspecto

exterior da egreja e dos edificios annexos; ao transpôr, todavia, o

peristylo, o visitante fica deslumbrado com a perspectiva e os detalhes

da magestosa fabrica. Desde o sopé ás abobadas, o santuario resplandece

o velho ouro que os seculos ainda não conseguiram desvanecer. Em talha

dourada, é a d’esta egreja a maior, a mais antiga e a mais preciosa

decoração que existe na capital do Brasil. É d’uma só nave, ladeada

por dez altares, oito dos quaes communicam-se, interiormente, por duas

especies de naves. Os dois pulpitos são tambem preciosos. Sobre os arcos

que dão ingresso aos altares, ha outras tantas tribunas douradas, com

balaustradas. O tecto é em quadriculos de madeira colorida.

No pavimento do corpo principal estão as sepulturas dos doadores, D.

Diogo de Brito de Lacerda, e D. Victoria de Sá, com brazões heraldicos.

São riquissimas as capellas do Santissimo Sacramento e da Immaculada

Conceição. A primeira tem quatro tribunas e um magnifico altar, com

esplendoroso sacrario e quatro columnas salomonicas, tudo dourado. Todos

os altares do monumento são guarnecidos a columnas do mesmo estylo e

profusamente douradas.

Na capella-mór ha bancadas de nogueira para a assistencia capitular. Á

esquerda está o solio, com o docel, para o abbade-bispo de S. Bento.

Os beneditinos estabeleceram-se no Rio de Janeiro, em 1589, e occuparam,

primitivamente, a ermida de N. S. do Ó, na praia da cidade, doada pelo

governador Corrêa de Sá.

O tecto da capella-mór é decorado a frescos, representando scenas da vida

de S. Bento. É grande, valiosa e artistica a collecção de objectos de

prata, que adorna o templo, avultando a imagem de N.ª S.ª do Monserrat,

que occupa a cúspide do altar-mór; o crucifixo d’este altar, o tocheiro

da capella-mór e as lampadas das capellas lateraes.

O corpo da egreja é illuminado por seis artisticos lampeões de ferro, a

tres luzes. Da esplanada, bem como de varios pontos da vasta cêrca do

convento, a vista é extensa e bella para diversos pontos da cidade e da

bahia.

O Gymnasio de S. Bento e a escóla de preparatorios, contiguos ao templo,

teem frequencia superior a 300 alumnos. Ha ainda a escóla preliminar

de S. José e uma escóla nocturna, tudo para o sexo masculino. Todos os

frades d’este convento são allemães. Na cêrca está uma caixa de agua, do

rio do Ouro, que communica com o deposito geral do Pedregulho.

* * * * *

_S. Francisco da Penitencia_—Minusculo e magnifico santuario, pertencente

á Ordem Terceira de S. Francisco da Penitencia, situado no alto da

collina de Santo Antonio, e junto á egreja d’esta invocação. Depois do

de S. Bento, é este o interior sagrado mais artistico e bello do Rio de

Janeiro. Os 6 altares lateraes, os 2 pulpitos, as 6 varandas, o magestoso

árco-cruzeiro, a capella mór e o côro constituem um grandioso poema

em talha dourada, onde a arte da execução rivalisa com os primôres das

concepções decorativas e da materia prima empregada, ha seculos, no

realce artistico.

O tecto é em madeira pintada e nos intervallos das tribunas ha quadros

emmoldurados em talha dourada e pintados por José de Oliveira.

A primitiva egreja da Ordem Terceira da Penitencia, no Rio de Janeiro,

foi a capella da Conceição, erecta na visinha egreja de Santo Antonio,

por Luiz de Figueiredo e sua mulher, Antonia Carneiro.

O actual edificio foi concluido em 1772, depois de muitas contendas com

os visinhos frades franciscanos do convento de Santo Antonio, tendo

começado as obras em 1653.

Tanto o interior como o exterior do santuario são em estylo barroco.

* * * * *

_Santo Antonio_—Communica com o edificio anteriormente descripto. Esta

egreja é modestissima, destacando-se apenas a capella do Noviciado, com

o tumulo, em marmore, do principe D. Pedro Carlos, filho de D. João VI.

Contiguos a estas egrejas estão os dois conventos das mesmas invocações,

ambos habitados por frades franciscanos.

Do adro d’estes santuarios, gosa-se o panorama parcial da cidade, da

bahia e dos suburbios.

* * * * *

_S. Francisco de Paula_—No lado Sul da praça de egual nome, ergue-se

imponentemente a elegantissima frontaria d’este templo, pertencente

á Veneravel Ordem Terceira dos Minimos de S. Francisco de Paula. É

construcção architectonica da ordem composita e ostenta um bellissimo

portico de marmore da Arrabida. Foi inaugurado em 1801. Os artistas

brasileiros Valentim da Fonseca e Silva e Antonio de Padua e Castro,

decoraram interior e sumptuosamente esta egreja, a mais central da

cidade. Ladeiam a fachada duas torres, que realçam a belleza do

conjuncto. Tambem aqui, e em nome da esthetica civica, o prefeito Passos

destruiu o gradeado que protegia o adro.

* * * * *

_Matriz da Gloria_—Esta vastissima egreja eleva-se na face occidental da

praça do Duque de Caxias.

A frontaria é aformoseada por oito columnas jonicas, de granito, com dez

metros de altura, que assentam em treze degraus de cantaria e sustentam

um frontão da mesma pedra, com um painel decorativo, e as estatuas de

S. Pedro e S. Paulo, nas extremidades lateraes. Do lado posterior do

frontão eleva-se um campanario da altura de quarenta e dois metros, até

um terraço guarnecido a balaustrada e a estatuas de granito. Sobre esta

esplanada levanta-se outro corpo de torre, rematado por uma pyramide

quadrangular, que sustenta uma cruz á altura total de sessenta metros.

Interiormente, o templo é decorado em estylo barroco, notando-se a

preciosa obra de talha do altar-mór.

* * * * *

Outras muitas egrejas, menos notaveis, accentúam o aspecto monumental

do Rio de Janeiro, taes como S. José, Lapa, S. Christovão, Rosario,

Sacramento, S. João Baptista, Gavea, e a historica e popular ermida

octogona que corôa o vértice da pittoresca altura da Gloria.

Museus

_Museu Nacional_—Foi fundado em 1710, pelo vice-rei Luiz de Vasconcellos,

em um predio da rua do Sacramento, mais tarde ampliado para Thesouro

Federal.

Tendo caído em abandono, D. João VI reergueu-o, em 1818, a pedido do

seu ministro Thomaz Antonio de Villa Nova Portugal, sendo installado em

um palacete do campo de Sant’Anna, depois praça da Acclamação. Em 11

de Julho de 1864, foi inaugurada a bibliotheca d’este Museu, com 3:000

volumes, contando hoje mais de dez mil. Um italiano, em 25 de Junho de

1865, tendo-se escondido no interior do edificio, no momento de serem

fechadas as portas, durante a noite roubou 49 diamantes, 153 moedas

antigas e 70 medalhas diversas.

O Museu foi mudado, em 1892, para o ex-palacio imperial de S. Christovão,

que servira, em 1890 e 1891, de Palacio do Congresso Constituinte da

Republica. É um amplo e vistoso edificio situado em terreno elevado,

ao centro de terras incultas e enfrentado por um magnifico parque,

cuidadosamente ajardinado.

As principaes collecções são a mineralogica e a antropologica,

seguindo-se-lhes, em importancia, a numismatica, a ethnographica e a de

antiguidades egypcias e pompeanas.

Começando pelo 3.º pavimento, visita-se a _Sala Rodrigues Ferreira_, com

curiosos exemplares de simios, phocas e outros animaes.

_Sala Correia de Lacerda._ Carnivoros roedores. Bellissimo exemplar

leonino. Insectivoros.

_Sala Spix._ Mammiferos. Antiodactylos ruminantes. Magnificos exemplares

de elephantes e de veados.

_Sala Blainville._ Esqueletos de passaros. Gabinetes, a seguir, com

variadissima e abundante collecção de insectos do paiz. Interessantes

habitações de maribondos.

_Galeria Buffon._ Esqueletos de quadrupedes.

Segundo pavimento.

_Sala Burmeister._ Curiosissima collecção de ninhos de aves.

_Sala Natterer._ Passaros.

_Sala Wied._ Aves de rapina. Esplendido exemplar de condor dos Andes.

_Sala Schreiner._ Numerosa e escolhida collecção avicola-brasileira.

_Sala Wallace._ Passaros corredores, entre elles dois magnificos

exemplares de avestruz.

_Galeria Baptista Caetano._ Ethnographia. Vestuarios e armas de varias

tribus de indios da bacia do Amazonas.

_Sala Simão de Vasconcellos._ Armas, utensilios e ornatos de indios

mundurucús, araras, uaupés e da Guyana Brasileira.

_Sala Castelnau._ Retratos e estatuas de indigenas do Brasil. Grupo, em

bronze, offerecido pelo marechal Deodoro.

_Sala Varnhagen._ Numerosa e curiosissima collecção de armas, vestuarios,

utensilios e ornatos dos indios carajás, appiaças, bororós, mahués e

guajarás.

_Sala Ferreira Penna._ Ceramica greco-romana. Ceramica brasileira,

peruana e mexicana. Alguns dos objectos expostos são pre-historicos.

_Galeria Fernão Cardim._ Ethnographia das ilhas Aleutas, Sandwich, Nova

Guiné, Rainha Carlota, Madagascar e Nova Zelandia.

_Sala Champollion._ Sarcophagos e mumias. Antiguidades mexicanas,

africanas e europeias. Ethnographia africana e asiatica. Antiguidades

egypcias.

_Sala Broca._ Mumias pequenas. Esqueletos indianos. 300 caveiras de

indios diversos.

_Sala Freire Allemão._ Fibras textis. Cipós e madeiras do Brasil.

Amostras de oleos e de sementes nacionaes.

_Galeria Conceição Velloso._ Troncos gigantescos de vegetaes do Brasil.

_Sala Humboldt._ Ethnographia sul-americana.

_Galerias Gabriel Soares_, _Eschwege_ e _Couto de Magalhães_. Pirogas,

remos e rêdes indianas. Pedras e placas com inscripções e brazões.

_Sala Haeckel._ Echinoides. Ovos e embryões.

_Sala Lamarch._ Molluscos. Collecção numerosissima e interessante.

Tres capitaes · 第 2 / 24 段