LXII.

[Sidenote: EST. VI.]

Como importa muito que na prática, como dissemos, sejam os angulos

exactamente medidos, não nos devemos contentar de os tomar, ainda com

os instrumentos mais perfeitos; he tambem preciso achar o modo de

verificar as suas medidas, para se fazer a correcção dellas, quando

seja necessario. Ora este modo he simples, e facil. Tornemos ao

triangulo ABC. Conhecemos que a grandeza do angulo C deve resultar

da dos angulos A, e B; porque augmentando-se, ou diminuindo-se estes

angulos, a posição das linhas CA, BC se alteraria, e por consequencia

tambem o angulo C, que estas linhas entre si fazem. Ora se o angulo C

depende da grandeza dos angulos A, e B, deve-se presumir que o numero

de gráos, que os angulos A, e B comprehendem, deve determinar o numero

de gráos, que ha de conter o angulo C; e que assim poderá servir para

verificar as operações, que se tiverem feito para determinar os angulos

A, e B; pois que nos certificaremos de termos medido bem os angulos A,

e B, se medido depois o angulo C, se lhe achar o numero de gráos, que

lhe pertencer relativamente á grandeza dos angulos A, e B.

[Sidenote: EST. VI.]

Para se achar como da grandeza dos angulos A, e B se póde concluir a do

angulo C, examinemos o que a este angulo succederia, se as linhas AC,

BC se viessem a chegar, ou a apartar huma da outra. Supponhamos, por

exemplo, que BC, (Fig. 3.) movendo-se ao redor do ponto B, se aparta de

AB para se avizinhar a BE, he evidente que em quanto BC se movesse, o

angulo B se abriria continuadamente; e que ao contrario o angulo C se

fecharia cada vez mais; do que logo se podia presumir, que neste caso a

diminuição do angulo C igualaria a augmentação do angulo B; e que assim

a somma dos tres angulos A, B, C seria sempre a mesma, qualquer que

fosse a inclinação das linhas AC, BC sobre a linha AE.

Elementos de geometria · 第 68 / 266 题