«D. Maria de Castello Branco, filha de D. João de Castello Branco,
alcaide-mór da villa de seu appellido, cazou com Fernão Cabral,
alcaide-mór de Belmonte. Apaixonou-se esta dama por um clerigo com tanta
loucura, que trocou em odio o amor conjugal, e persuadiu o dito clerigo
que lhe matasse o marido. Descobriu-se o crime e a aleivosia, e por elle
foi sentenciada a morrer morte natural por justiça sem lhe valer a
grandeza do nascimento, nem a valia de seus muitos e illustres
parentes». _Memorias de Diogo de Paiva de Andrade._
Não marca Diogo de Paiva o tempo d'este successo; mas conjecturamol-o no
meado do seculo XV, reinando D. João II. Este Fernão Cabral, que levou a
mulher ao patibulo, era quinto neto de Alvaro Gil Cabral, que el-rei D.
João I fizera alcaide-mór de Azurara. Computando o lapso das gerações
poderão os curiosos, favorecidos por algum linhagista menos indulgente,
determinar a época da tragedia. D. Maria era neta do almirante Nuno Vaz
Castello Branco, e bisneta por sua avó paterna de Micer Antão Peçanha,
almirante, que viveu no começo do reinado de D. Affonso V. De um dos
filhos d'esta senhora decapitada procedeu Pedro Alvares Cabral, o
descobridor do Brazil.