Em alegre paz derivaram dois annos.
Ao fim do primeiro, deu ao amor de seu marido Maria Isabel uma menina.
Pouco depois, duplicou-se a riqueza do cazal com o falecimento do
Traga-Malhas, e a entrada da viuva n'um Recolhimento da Terceira ordem
de S. Francisco.
Não obstante, a felicidade do antigo aprendiz de boticario era dardejada
pela inveja disfarçada no epigramma.
Quando Maria Isabel apparecia nas festividades de igreja, egualando-se
nas pompas ás mais ricas fidalgas, rumorejavam-se facecias que eram
victoriadas com frouxos de riso.
A corrupção da epoca vestia-se de gala nas mulheres, Maria Isabel,
porque sabia que as fidalgas a remoqueavam, de dia para dia dava novo
pasto á satyra. Arrastava saias golpeadas de mosqueta; corpetes
recamados de oiro; chapins estrellados de prata e perolas; fraldelhins
agrinaldados de rubis. Sahia em liteira sua, das mais adamascadas e
pintadas, com lacaios bizarramente vestidos.
E, por sobre tudo isto, realçava como engodo ao despeito aquella
esplendorosa beldade de Maria Isabel, a quem as senhoras dos palacios,
arruinados como a honra propria, chamavam a _Traga-malhas tanoeira_.
N'este em meio, Domingos Leite Pereira, advertido pelo marquez de
Gouveia que posesse côbro ao luxo da mulher, respondeu que era
bastantemente rico...
--E bastantemente inepto, sr. Leite--acudiu o mordomo-mór--Quando um
marido assim arreia sua mulher para a exhibir nos adros das igrejas, os
outros podem suspeitar que elle a veste, á guiza de moira da procissão,
para a mostrar bem adubada e apetitosa á cupidez dos outros.
--Se o sr. marquez pensasse como esses vilãos que assim pensam, eu
sahiria da sua casa, com a magua de o não poder reptar ao baixo ponto em
que está a honra dos plebeus--replicou Domingos Leite com altivez.
--Eu não penso assim--obviou o fidalgo--mas sei como os outros pensam.
--Quem são os outros? diz-m'o V. Ex.ª?
--Não denuncio, sr. Leite; advirto-o e mais nada. Vossa mercê conhece os
livros; mas desconhece os homens. Tem grandes espiritos; mas possue
imperfeitissima rasão. Guarde isto que lhe digo; e oxalá que eu nunca
lh'o recorde.
--Sr. marquez!--volveu o secretario com vehemente arrebatamento--se
minha mulher não é a honesta esposa que eu creio, diga-m'o; peço a V.
Ex.ª pela sorte de suas filhas!
--Nada sei...--balbuciou o marquez, refreando a perturbação.
--V. Ex.ª está indeciso!--sobreveio Domingos Leite agitadissimo.
--Não seja louco!--objectou o velho, refazendo-se de apparente
serenidade--Nada sei de sua mulher que o desdoure.
E, rematando o dialogo, o mordomo-mór disse que el-rei o esperava para o
despacho.
Esta acerba palestra instillou peçonha no coração de Domingos Leite.
Havia um só homem e esse o mais indigno de todos com quem o marido de
Maria Isabel desafogava a plenos pulmões: era Roque da Cunha, que, ao
tempo, exercia um officio dos mais grados entre os aguasis de uma das
corregedorias criminaes da corte, em recompensa de haver testemunhado em
1641 contra o general Mathias de Albuquerque, por industria e compra dos
inimigos d'aquelle insigne cabo de guerra. E, bem que Mathias de
Albuquerque provasse sua innocencia, D. João IV, tão presador dos
denunciantes como dos bons e fieis generaes, não retirou a Roque da
Cunha a paga da aleivosia. Parece que antevira a urgente necessidade
d'aquelle homem...
Abriu sua alma Domingos Leite ao assassino de Pedro Barbosa,
referindo-lhe o que passara com o marquez de Gouvêa, e terminando por
lhe perguntar se ouvira qualquer calumnia contra a honestidade de sua
mulher.
--Ouvi, respondeu friamente Roque.
--O que?! acudiu o outro sobresaltado e livido.
--Ouvi que antes de ser tua mulher tivera outros amores.
--Com quem? bradou arquejante Domingos Leite.
--Não perguntei. O calumniador disse a calumnia, e adormeceu na rua dos
Romulares com dois bofetões puxados á sustancia, que lhe dei nos
indignos focinhos.
--Nunca m'o disseste...
--Não sou echo de calumniadores, amigo Leite. Encarecer-te a minha
amisade com a noticia dos bofetões, seria dar importancia a bagatellas.
Se eu estivesse em sitio onde podesse arrancar-lhe a lingua, mandava-t'a
embrulhada em uma folha de alface com a mesma facilidade com que t'o digo.
--Mas conheces esse homem?
--Conheci ha muitos annos: era parente de um official, ou quem quer que
fosse de Miguel de Vasconcellos. Não lhe sei o nome, nem o tornei a ver
desde ha dois annos. Morreria elle?... Se o matei com o primeiro murro,
era escusado pregar-lhe o segundo...
Esta revelação attribulou Domingos Leite por tanta maneira, que Roque da
Cunha chacoteava a irracional afflicção do seu amigo, chegando a
dizer-lhe brutalmente:
--Homem! se este caso te faz tamanha mossa, parece que estás mais
inclinado do que eu a acreditar a calumnia do tal que eu esmurracei! Em
fim, tu lá sabes... concluiu faceiramente.
--Deixa-me... Olha que me estás fazendo perder a razão! atalhou o
desvairado moço. Vê se me encontras esse homem, Roque! Pede-t'o a minha
honra! dou-te por esse homem metade do que tenho! Se o tu não achares,
ninguem o achará... Olha que me salvas, se m'o trazes! salvas o teu
maior amigo!
--Irei procural-o no inferno, se o não achar cá em cimo. Confia nos
quadrilheiros de todos os bairros de Lisboa. Saibamos: que queres tu do
homem?
--O nome do amante que teve Maria Isabel antes de ser minha mulher.
--Então é coisa averiguada que teve? interpellou despejada, mas
rasoavelmente o cynico.
--Perguntas-m'o!... balbuciou Leite Pereira.
--Não t'o pergunto: és tu que m'o dizes, homem! Seja como for.
Apparecendo vivo o sujeito, queres interrogal-o, ou fias de mim
desembuchar-lhe tudo que elle souber?
--Fio de ti a minha honra, que ha de sahir limpa d'essa prova, ou hei de
lavar o ferrete com o sangue de alguem.
--Até mais ver, Domingos Leite. Dá-me tres dias e tres noutes. D'aqui
até lá não tujas palavra que possa espantar a caça, percebes? Olha que
as mulheres tem faro de tres narizes, quando não podem apresentar folha
corrida ao almotacé do bairro da virtude.
Nos dias subsequentes, o secretario do marquez de Gouvêa, pretextando
extraordinarios trabalhos, apenas pernoitava em casa; e, apesar de
esforçada dissimulação, denunciou a Maria Isabel torvado animo e
sobresaltos no dormitar. Interrogava-o ella amorosamente e com uns
abalos de susto. Elle attribuia o seu dessocego a receios da causa da
patria, visto que o exercito do Alemtejo soffria numerosas deserções, e
perigava á mingua de generaes. No entanto, a esposa decifrara desgraça
eminente em umas lagrimas que lhe vira toldar os olhos fitos no rosto
angelico da filhinha adormecida. E perguntando-lhe então porque chorava,
elle respondera que chorava em nome da creança a desventura de ter nascido.
Devoravam-no entretanto impaciencias de ouvir Roque da Cunha.
Chegou o mensageiro ao escriptorio de Domingos Leite, no palacio do
conselheiro de estado, terminado o praso prescripto, e começou dizendo,
com solemnidade e tristeza, coisas singulares e raras no seu caracter:
--Achei-o. Morava em Alfama, e tem loja de mercearia.
--Bem! exclamou Leite Pereira com um tregeito de ficticia alegria que
poderia egualmente significar a angustia de uma noticia
dilacerante.--Que diz elle?
--Vamos de passo. Indaguei primeiro quem tinham sido os officiaes da
escrivaninha de Miguel de Vasconcellos. Nomearam-m'os todos; e eu, logo
que ouvi o nome de um, recordei-me de que o homem em quem eu dera os
cachações era parente do tal. Ora este tal, que foi muito da confiança
do ministro, conhecia-o eu como as minhas mãos. Fui ter com elle, e sem
detença soube que o seu parente era tendeiro. Isto no primeiro dia. No
segundo, mandei-o chamar por um quadrilheiro á corregedoria. Carreguei a
sêlha, e perguntei-o sobre o que havia dito a respeito da mulher do
escrivão do civel, Domingos Leite Pereira, no anno de 1643, na praça dos
Romulares. Como elle fingisse estar esquecido, lembrei-lhe os dois
murros, e ajudei-lhe a memoria, promettendo-lhe mandal-o para o Limoeiro
até se lembrar. Confessou então que, estando em um jantar de annos, onde
o vinho sobejava e minguava o juizo, ouvira dizer a um dos do banquete,
fallando-se no teu casamento, que elle conhecia um sujeito que, se não
tivesse coroa rapada, a Maria Traga-Malhas e os dez mil cruzados não
seriam para ti. E que mais? perguntei ao homem que engulira o principal.
Não sei mais nada, respondeu elle. Chamei um aguazil e disse-lhe que
levasse aquelle esquecidiço ao Limoeiro, e o trouxesse quando elle
tivesse mais miudas lembranças do que ouviu n'um tal jantar. Deixou-se
levar, e foi posto no segredo, e prohibido de fallar ou escrever a
alguem. Segundo dia. Agora o terceiro, que é hoje. Ás duas da tarde
pediu que o trouxessem á corregedoria. Recuperara a memoria. O homem que
tinha coroa rapada, e se gabava de te disputar a noiva e os dez mil
cruzados, era propriamente o primo d'elle, que eu conhecera official de
Miguel de Vasconcellos.
--Como se chamava? atalhou Domingos Leite com os olhos abraseados e a
respiração a trancos.
--Chamava-se o padre Luiz da Silveira.
--O que?... dize! Luiz da Silveira?! Esse padre foi o mestre de Maria
Isabel... Basta!... Disseste tudo...--rugia Domingos Leite, regirando
como fera prêza, de um lado a outro da saleta, e tomando o chapêo,
apertou as mãos do informador, rugindo-lhe como em segredo:--Se eu
precisar de ti, não me desampares... Bem sabes que eu só chamo amigo a
quem me matar ou me restituir a honra n'esta horrivel conjunctura. Olha,
escuta-me, Roque... Maria Isabel, antes de ser minha mulher, foi... Oh!
como é atroz esta certeza!...
E, batendo com os punhos nas fontes, ringia os dentes, e
istriavam-se-lhe os olhos de filamentos sanguinosos.
N'este comenos, ouviram-se os passos mesurados do marquez mordomo-mór no
salão contiguo. Os dois amigos evadiram-se pressurosos escada abaixo.
V
O padre Luiz da Silveira viera da Alhandra para Lisboa, chamado pela
fama de prégador, em 1635, tendo vinte e quatro annos de edade.
A marqueza de Montalvão deu-lhe capellania em sua casa, e accesso á
estima dos fidalgos mais parciaes do rei castelhano. Os sermões de padre
Luiz degeneravam, pelo ordinario, em arengas politicas em prol da
legitimidade dos Filippes, e invectivas ironicas adversas aos
sebastianistas. N'aquelle tempo, tanto os esperançados no vencido de
Alcacer-kibir, como os imaginativos de rei portuguez, eram chanceados de
sebastianistas.
Em casa da marqueza beijara o padre a mão do arcebispo de Braga, D.
Sebastião de Mattos e Noronha, um dos mais esturrados sustentaculos do
dominio hespanhol, e tão execrado dos portuguezes como Miguel de
Vasconcellos.
Affeiçoou-se o arcebispo ao capellão da marqueza, ouvindo-o prégar no
anniversario de Filippe IV, de Castella, e de moto proprio lhe offereceu
o emprego honroso e lucrativo de official do secretario de Vasconcellos.
N'esta posição, e com promessas de boa prebenda na Sé lisbonense, o
sobresaltou a revolução de 1640. Dormia elle ainda o somno do justo,
quando o ministro era espostejado no terreiro do Paço da Ribeira. A
consciencia remordia-o já com os delictos oratorios, já com os aggravos
feitos aos seus compatriotas, sob a egide de ministro despota.
Escondeu-se, portanto, no palacio do arcebispo de Braga, que os
conjurados teriam morto, se rogos de D. Miguel de Almeida o não
salvassem, e se D. João IV, receoso do clero e de Roma, lhe não desse
parte no governo provisorio, defraudando de tamanha honra fidalgos que
jogaram a cabeça, proclamando-o.
O arcebispo, inflexivel á indulgencia do rei, urdiu, travado com outros
da sua estofa, a malograda contra-revolução, a fim de reconquistar a
graça de Filippe IV.
Carteando-se com o conde-duque de Olivares, confiou a mensagem da
correspondencia ao seu commensal, padre Luiz da Silveira, que tres vezes
desempenhara destramente a perigosa empreza, disfarçado em almocreve.
Planeada a tentativa dos conjurados, de accordo com a Junta de Madrid,
chamada da _Intelligencia secreta_, padre Luiz, ou por que desconfiasse
do bom exito, ou por que um leicenço de infamia lhe apojasse na alma,
ou--e seria o mais improvavel--porque o patriotismo o esporeasse,
resolveu delatar os conspiradores a D. João IV.
Outra versão correu explicando a perfidia do padre. Disseram que elle, a
fim de alliciar um antigo parceiro, communicara o segredo da conjuração
a Luiz Pereira de Barros, que tambem servira Miguel de Vasconcellos, com
grande applauso e confiança do ministro; porém Luiz de Barros, como a
esse tempo já fosse contador da fazenda, a revellação do familiar do
arcebispo recebeu-a sem enthusiasmo, promettendo, todavia, reflectir
antes de se alistar nos conjurados. Mas, como quer que o clerigo
desconfiasse que Pereira de Barros denunciasse a conspiração, deu-se
elle pressa na precedencia da protervia e da paga. Não se illudira, por
que D. João IV recebera os dois delatores no mesmo dia, e os enviara
conjunctamente ao seu ministro Francisco de Lucena, e este os mandara ao
procurador geral da coroa, Thomé Pinheiro da Veiga.
Simultaneamente, novas denuncias asseveraram a do confidente do
arcebispo, umas espontaneas, outras arrancadas pela tortura. Dois
capitães, Diogo de Brito e Belchior Corrêa de França, postos a tormento,
confessaram os nomes dos cumplices; não assim o opulento mercador Pedro
de Baeça que, desde o cavalête, em que lhe quebraram os ossos, até o
verdugo bamboar-lhe o corpo dependurado, apenas fallou para offerecer
trinta mil cruzados pela vida, mostrando até final, como bom mercador,
que a vida tambem era mercadoria.
Não podemos attribuir especialmente á delação do clerigo o malôgro da
revolta: tão obcecados de medo de Castella tremiam os conspiradores, que
não viram o carrasco em casa, nem se arrecearam da irreflectida escolha
dos cumplices. No entanto, os pormenores da revolução, que devia estalar
no dia 5 de agosto de 1641, começando pelo incendio do Paço da Ribeira e
assasinio do monarcha, deu-os o padre Luiz, taes quaes os sabia da
confidencia plenissima do arcebispo de Braga.
A 28 de julho, a mais selecta porção de conjurados foi aferrolhada em
diversos carceres; e a 28 de agosto soffreram decapitação na Praça do
Rocio o marquez de Villa Real, o duque de Caminha, o conde de Armamar, e
o escriptor D. Agostinho Manuel. Quanto aos outros padecentes, por que
eram plebeus, as agonias estiraram-se mais prolongadas, desde o serem
cavalleados pelo algoz, e d'ahi, como ignominia aos vilissimos
cadaveres, começou a estupida ferocia de os arrastarem e esquartejarem.
O amigo do padre Luiz morreu nas masmorras de S. Julião da Barra; o
bispo de Martyria acabou socegadamente no claustro de S. Vicente; o
inquisidor-geral, D. Francisco de Castro, dois annos preso, sahiu
perdoado e d'ahi a pouco reposto em todos os cargos e honras, depois de
accusar, com a promessa do perdão, as particularidades do plano
sedicioso. Este abjecto prelado, que merecera depois a estima de D. João
IV, era esbofeteado, passados annos, pelo principe D. Theodosio, que o
detestava como denunciante dos seus parceiros de infamia. (_Nota 9.ª_)
O padre Luiz da Silveira, dado que el-rei o recommendasse a D. Rodrigo
da Cunha, arcebispo de Lisboa, não tinha ainda, em 1642, recebido
condigno galardão, pois que n'esse tempo esbrugava apenas o escarnado
osso de thesoureiro de S. Miguel de Alfama. O arcebispo D. Rodrigo da
Cunha era homem honesto e verosimilmente despresador do fementido padre
que prégara a legitimidade dos Filippes, e denunciara os seus co-reos na
trama contra a liberdade da patria.
Retrocedamos dois annos na biographia d'este clerigo. Quando, em 1639, o
tanoeiro João Bernardes Traga-malhas resolveu aperfeiçoar a sua filha em
lettra e leitura, já quando a menina, por muito encorpada, corria perigo
em andar na mestra, indagou como cauteloso pae onde houvesse um
sacerdote ajustado ao intento.
Inculcaram-lhe padre Luiz da Silveira, a quem muitos fidalgos confiavam
a educação de suas filhas.
Quiz o Traga-malhas julgar do clerigo pela cara, e desagradou-se da
mocidade do mestre; porém, como pegassem de conversar a respeito da
soltura do genero humano, o official do ministro Vasconcellos tamanhas
lastimas gemeu sobre os peccados do mundo, que o bom João Bernardes
ponderou a sua mulher que o mestre de Maria Isabel era o que elle nunca
tinha visto em padres.
Teria vinte e oito annos, ao tempo, o capellão da marqueza de Montalvão.
Bem apessoado, limpo no trajar, polido pelo trato da melhor sociedade,
sisudo nas fallas, grave e composto com aquelle geito nobre que lhe dera
o pulpito, padre Luiz fez-se, a um tempo, respeitar e estimar da discipula.
Do adiantamento da menina, em materia de escripta, leitura e doutrina,
eram sensiveis os effeitos, e bem provada portanto a aptidão tanto do
professor como da alumna.
Maria Isabel, que até então só conhecia em leitura a _Primavera de
Meninos_, do Brochado, por conselho do novo mestre lia o _Clarimundo_,
de João de Barros, e os _Contos do Trancoso_; e quanto a escripta,
sahiu-se muito habilidosamente imitando os _Exemplares de diversas
sortes de lettras_, de Manuel Barata.
Ora os paes, quando admiravam as rapidas sabensas da filha, graças á
assiduidade do mestre, de certo não sentiam sobresaltos que lhes
agorentassem a satisfação, lembrando-lhes que houvera no mundo uma
discipula muito aproveitada, chamada Heloisa. Se na mente de padre Luiz
chammejaram memorias historicas de Pedro Abeilard, e o demonio da
imitação entrou com elle, é o que vamos deprehender do capitulo seguinte.