VERSÃO

Senhores. Consta-nos que varias das principaes pessoas, e alguns nobres,

esquecidos das obrigações a que estão ligados, e fazendo da honra pouco

cabedal, usam de uma linguagem, e praticam actos contrarios á segurança

d'estes reinos. Como bons portuguezes estamos decididos a dar remedio a

este mal, porque nos lembramos do que fizeram os habitantes d'esta

cidade no tempo de D. João I, e no de outros monarchas. Rogamos a vossas

senhorias, como primeiras pessoas da republica, que a ajudem a

sustentar; e que não percam a sua honra e direito, dando orelhas á

parcialidade, ou olhando a circumstancias particulares de alguns

individuos. Podem vossas senhorias ficar certos de que para a defensa de

nossos direitos, e castigo dos portuguezes versateis, estamos promptos a

levantar-nos com 15 ou 20:000 homens d'esta cidade, e seus arredores. Se

fôr necessario, duas horas bastarão para os reunir, e iremos incendiar

as habitações dos que começam a fallar e a obrar contra o bem geral. Com

tudo, não recorreremos a taes meios em quanto tivermos esperança de

obter remedio e castigo por outro modo. Talvez conviesse lembrar isto ao

estado da nobreza, assim como aos dous outros estados, para que toda a

assembléa trate com plena segurança, do bem commum, e da tranquillidade

d'estes reinos, sem temor da força, violencia, e de meios preventivos ou

damnosos. Esperamos que mais se não attenderá á voz dos que julgam tudo

impossivel, e que não querem dar nem procurar remedio a semelhantes males.

O traductor, como se viu, não lhe soffreu o melindre que os dous

populares tratassem de _vossas-mercês_ os fidalgos, _safados_ (duas

vezes) á cobarde ignominia de Alcacer-quibir: deu-lhes _senhoria_. Ah!

bom relojoeiro de pag. 57!

Noites de insomnia, offerecidas a quem não póde dormir. Nº 12 (de 12) · 第 32 / 36 题