Em Portugal, como em Inglaterra, como em França, a revolução reformadora
teve os seus prophetas e apostolos: para não fallar em muitos outros de
mais circumscripta esphera e menor vulto, apontaremos para o celebre e
illustrado ministro de D. José I.
Quando Sebastião José de Carvalho e Mello, por circumstancias,
talvez imprevistas aos olhos do vulgo, importantes todavia, quando se
perscrutam os designios do Ser infinito no destino das nações e se
estuda a sua acção previdente sobre o mundo, appareceu á testa dos
negocios do estado, assenhoreando-se do monarcha, concentrando em si
todo o poder politico d'uma nação, abatendo a nobreza, reprimindo o
clero e subjugando o povo,--Portugal era patrimonio do rei, _feudatario_
da côrte de Roma, objecto de exploração para as duas ordens nobilitadas,
orphão de patriotismo, pupillo de nações estranhas!