A conclusão que eu desejaria tirar do que fica dito é que a Biblia e a
Egreja, estas duas auctoridades que se invocam em favor das penas
eternas, não tem o mesmo valor no conceito de toda a gente. Um
protestante renegaria o inferno, apezar dos anathemas dos Concilios, se
a Escriptura lh'o não annunciasse; mas um catholico renegaria o inferno,
apezar da lucidez dos textos biblicos, se aprouvesse á Egreja attribuir
áquelles textos, segundo o parecer de Origenes, um sentido visivelmente
conforme á justiça e bondade de Deus.
Tanto em Genebra como em Roma crê-se no inferno; mas por diversas
razões; e o que parece argumento decisivo para metade dos christãos, não
têm a mesma efficacia para a outra metade. Conformam-se sobre a
verdade d'um prodigio, recusando de ambas as partes uma das duas
testemunhas que o affirmam; os de Genebra considerando a Egreja um
professorado do erro; os de Roma sustentando que a Biblia desencaminha
aquelles que exclusivamente se fiam n'ella.