E eu velava á sombra do funebre leito. A viuva estava ali orando,
soluçando, e sempre preoccupada, a pezar seu, com as palavras do
padre. A intervallos, olhava ella para mim chorando, invocava-me como
testemunha da virtude de seu marido, e dizia-me com anciedade: «Não se
salvará elle?»--Não duvide, senhora--dizia-lhe eu; porém tristemente eu
via que as minhas respostas a não socegavam.
Ao cahir da tarde, como ella desde a vespera não comesse nem dormisse,
fiz que seu filhinho lhe offerecesse algum alimento. Debalde se esforçou
por engulir. Então pediu um livro de orações. Abriu ao acaso um que lhe
deram, esperando achar ali algum alivio, que não achou; pelo contrario,
com a leitura cresceu-lhe a inquietação. Vi-lhe então no rosto uns
tregeitos involuntarios, e um crispar de mãos, e por fim um grito e logo
cahiu desmaiada nos braços de quem a levou d'ali.