Quem quer que sejaes, senhor ou servo, rico ou pobre, esposo ou pai,
viuva ou noiva, não negueis as expiações da vida futura. Não conheceis
maus em prosperidade, cercados de respeitos, inaccessiveis á lei, e que
se deitam e levantam sem remorsos? Não conheceis innocentes opprimidos,
anciãos abandonados, orphãos desbalisados, pessoas honradas cuja vida é
toda padecer e que nenhuma lei feita ou por fazer defenderia de homens
ingratos e perversos? Se sois feliz hoje, sêl-o-heis amanhã?
Convencei-vos de que negar a vida futura, seria o mesmo que negar a
immortalidade da alma, e logo sua liberdade e responsabilidade; e, por
consequencia, o mesmo seria negar virtude, direito, Providencia, e
constituir este baixo mundo um verdadeiro inferno, um sonho, um
pesadêlo, onde tudo seria horror e abominação, excepto o nada, tudo
injusto, excepto o crime victorioso, tudo absurdo, excepto a inveja, o
egoismo, a violencia, e a astucia que se roja. Ah! crêde na vida futura,
com suas expiações e recompensas. E, se ha quem exclua do ceo a piedade,
não vades vós, por uma irracional desforra, excluir tambem do ceo a
justiça.