LOYDE BRASILEIRO

[Illustration]

=Canto do regresso a Patria=

Minha terra tem palmares

Onde gorgeia o mar

Os passarinhos aqui

Não cantam como os de lá

Minha terra tem mais rosas

E quasi que mais amores

Minha terra tem mais ouro

Minha terra tem mais terra

Ouro terra amor e rosas

Eu quero tudo de lá

Não permitta Deus que eu morra

Sem que volte para lá

Não permitta Deus que eu morra

Sem que volte pra São Paulo

Sem que veja a Rua 15

E o progresso de São Paulo

=Tarde de partida=

Casas embandeiradas

De janellas

De Lisboa

Terremoto azul

Fixado

Nos nevoeiros historicos

O teu velho verde

Crepita de verdura

E de pharoes

Para o adeus da patria quinhentista

E o accaso dos Brasis

=Cielo e mare=

O mar

Canta como um canario

Um compatriota de bôa familia

Empanturra-se de whisky

No bar

Familias tristes

Alguns gigolôs sem effeito

Eu jogo

Ella joga

O navio joga

=O cruzeiro=

Primeiro pharol de minha terra

Tão alto que parece construido no ceu

Cruz imperfeita

Que marcas o calor das florestas

E os discurssos de 22 camaras de deputados

Silencio sobre o mar do Equador

Perto de Alpha e de Beta

Perdão dos analphabetos que contam casos

Accaso

=Rochedos São Paulo=

Everest da Atlantida

Vanguarda calcinada do Brasil

Ponto geocentrico eriçado

Contra as escarpas das ondas

Do Amazonas

Poleiro de Gago Coutinho

=Fernando de Noronha=

De longe pareces uma cathedral

Gravando a latitude

Terra habitada no mar

Pela minha gente

Entre contrafortes e penedos vulcanicos

Uma ladeira coberta de matto

Indica a colonia lado a lado

Um muro branco de cemiterio

A egreja

Quatro antenas

Levantadas entre a Europa e a America

Um pharol e um cruzeiro

=Recife=

Desenvoltura

Attração sinuosa

Da terra pernambucana

Tudo se enlaça

E absorve em ti

Rectilinea

Canna de assucar

Dobrada

Para deixar mais alta

Olinda

Plantada

Sobre uma onda linda

Do mar pernambucano

Mas os guindastes

São canhões que ficaram

Em memoria

Da defeza da Patria

Contra os hollandezes

Chaminés

Palmares do caes

Perpendiculares aos hangars

E ás broas negras d’oleo

Baluartes do progresso

Para render

Os velhos fortes

Carcomidos

Pelos institutos historicos

Na paisagem guerreira

Os coqueiros se empennacham

Como guerreiros em festa

Ruas imperiaes

Palmeiras imperiaes

Pontes imperiaes

As tuas moradias

Vestidas de azul e de amarello

Não contradizem

Os prazeres civilizados

Da Rua Nova

Nos teus parallelepipedos

Os melhores do mundo

Os automoveis

Do Novo Mundo

Cortam as pontes ancestraes

Do Capiberibe

Desenvoltura

Concreto sinuoso

Que liga o arranha-ceu

A’ bençam das tuas egrejas

Velhas

De abençoar

A gente corajosa

De Pernambuco

=Escala=

Sob um solzinho progressista

Ha gente parada no caes

Vendo um guindaste

Dar tiro no ceu

=Versos bahianos=

Tua orla Bahia

No beneficio destas aguas profundas

E o matto encrespado do Brasil

Uma jangada leva os teus homens morenos

De chapeu de palha

Pelos campos de batalha

Da Renascença

Este mesmo mar azul

Feito para as descidas

Dos hydroplanos de meu seculo

Frequentado rendez-vous

De Hollandezes de Condes e de Padres

Que Amaralina actualiza

Poste das saudades transatlanticas

Riscando o ocre photographico

Entre Itapoan e o pharol tropical

A bandeira nacional agita-se sobre o Brasil

A cidade alteia cupulas

Torres coqueiros

Arvores transbordando em mangas rosas

Até os navios ancorados

Forte de São Marcello

Panella de pedra da historia colonial

Cosinhando palmas

E as tuas ruas entreposto do Mundo

E os teus sertanejos asphaltados

E o teu anno de egrejas differentes

Com um grande dia santo

Cathedral da Bahia

Genuflexorio dos primeiros potentados

Confessionario dos inquisidores

Cathedral

E’s o fim do roteiro de Roberio Dias

Romance de Alencar

Encadernado em ouro

Por dentro

Mais grandiosa que São Pedro

Cathedral do Novo Mundo

Passa uma yole

Com remadores brancos

No occaso indigesto

De Itaparica

=Noite no Rio=

O Pão de Assucar

E’ Nossa Senhora da Apparecida

Coroada de luzes

Uma mulata passa nas Avenidas

Como uma rainha de palco

Talco

Facil

Arvores sem emprego

Dormem de pé

Ha um milhão de maxixes

Na preguiça

Que vem do fundo da colonia

Do mar

Da belleza de Dona Guanabara

Paixões de feerie

O Minas Geraes pisca para o Cruzeiro

=Annuncio de São Paulo=

Antes da chegada

Affixam nos offices de bordo

Um convite impresso em inglez

Onde se contam maravilhas de minha cidade

Sometimes called the Chicago of South America

Situada num planalto

2.700 pés acima do mar

E distando 79 kilometros do porto de Santos

Ella é uma gloria da America contemporanea

A sua sanidade é perfeita

O clima brando

E se tornou notavel

Pela belleza fóra do commum

Da sua construcção e da sua flora

A Secretaria da Agricultura fornece dados

Para os negocios que ahi se queiram realizar

=Contrabando=

Os alfandegueiros de Santos

Examinaram minhas malas

Minhas roupas

Mas se esqueceram de ver

Que eu trazia no coração

Uma saudade feliz

De Paris

Pau brasil · 第 27 / 28 题