[Illustration]
=Convite=
São João del Rey
A fachada do Carmo
A egreja branca de São Francisco
Os morros
O corrego do Lenheiro
Ide a São João del Rey
De trem
Como os paulistas foram
A pé de ferro
=Immutabilidade=
Moça bonita em penca
Sete-Lagôas
Sabará
Cahete
O corrego que ainda tem ouro
Entre a estação e a cidade
E o mequetrefe
Vae tocar viola nas vendas
Porque a bateia está alli mesmo
=Traituba=
O sobrado parecia uma egreja
Curraes
E uma e outra arvore
Para amarrar os bois
O pomar de toda fruta
E a passarinhada
Joá na roça de milho
Carros de fumo puxados por 12 bois
Codorna tucano perdiz araponga
Jacú nhambú jurity
=Semana santa=
A matraca alegre
Debaixo do ceu de commemoração
Diz que a Tragedia passou longe
O Brasil é onde o sangue corre
E o ouro se encaixa
No coração da muralha negra
Recortada
Laminada
Verde
=Procissão do enterro=
A Veronica estende os braços
E canta
O pallio parou
Todos escutam
A voz na noite
Cheia de ladeiras accesas
=Symbologia=
Abranhão tem bigodes pretos
E sabia que Deus collocava o Anjo atraz delle
Isaac é innocente pequeno e núzinho
Os homens que carregam o caixão
Estão todos de branco
E descalços
O soldado romano
E’ zangadissimo
E tem cabello na cara
O padre sahiu para a rua
De dentro de um quadro antigo
=São José del Rey=
Bananeiras
O sol
O cansaço da illusão
Egrejas
O ouro na serra de pedra
A decadencia
=Sabbado de alleluia=
Serpentes de fogo procuram morder o ceo
E estouram
A praça publica está cheia
E a execução espera o arcebispo
Sahir da historia colonial
Longe vae tempo soltaram a lua
Como um balão de dentro da serra
Judas balança cahido numa arvore
Do ceu doirado e altissimo
Jardins
Palmeiras
Negros
=Bumba meu boi=
Descollocado
Arrebentado
Vae sahi
A companhia do arraiá
Da Boa Sorte
Sob o estandarte
A tourada dansa
Na musica nocturna
=Resurreição=
Um atropello de sinos processionaes
No silencio
Lá fóra tudo volta
A’ espectaculosa tranquilidade de Minas
=Menina e moça=
Gostei de todas as festas
Porque esse negocio de missa
E procissão
E’ só para os olhares
Vou agora triste no trem
Com aquella paixão
No coração
Vou emmagrecer
Junto ás palmeiras
Malditas
Da fazenda
=Casa de Tiradentes=
A Inconfidencia
No Brasil do ouro
A historia morta
Sem sentido
Vasia como a casa immensa
Maravilhas coloniaes nos tectos
A egreja abandonada
E o sol sobre muros de laranja
Na paz do capim
=Chagas Doria=
Picássos na parede branca
E mais nada
Sob o tecto de caixões
Mas na sachristia
Uma imagem barbuda
Arregalada de santidade
Me espera como uma creança de collo
=Mappa=
Ibitiruna
Campos sertanejos
Carmo da Matta
Tartaria
E a machina de brincadeira
Que corre dois dias
Atraz da barra do Paraopeba
=Capella Nova=
Salão Mocidade
Hotel do Chico
Uma egreja velha e côr de rosa
Na decoração dos bananaes
Dos coqueiraes
=Documental=
E’ o Oeste no sentido cinematographico
Um passaro caçoa do trem
Maior do que elle
A estação proxima chama-se Bom Successo
Floresta colinas cortes
E subito a fazenda nos coqueiros
Um grupo de meninas entra no film
=Paisagem=
Na athmosphera violeta
A madrugada desbota
Uma pyramide quebra o horizonte
Torres espirram do chão ainda escuro
Pontes trazem nos pulsos rios bramindo
Entre fogos
Tudo novo se desencapotando
=Longo da linha=
Coqueiros
Aos dois
Aos tres
Aos grupos
Altos
Baixos
=Santa Quiteria=
Palmas immensas
Sobem dos caules occultos
Cercas e cavallos
E a raça que se apruma
=Approximação da capital=
Trazem-nos poemas no trem
Azues e vermelhos
Como a terra e o horizonte
É um hotel rigorosamente familiar
Que offerece vantagens reaes
Aos dignos forasteiros
Havendo o maximo escrupulo na direcção da cosinha
Casas defendem o vosso proprio interesse
Proporcionando-vos uma economia
De 2$000, de 3$000
Impermeaveis
Borzeguins
Pyjamas
=Barreiro=
Estradas de rodagem
E o canto dos meninos azues da Gameleira
A paisagem nos abraça
Pontes
Alvenaria
Ninhos
Passarinhos
A escola e a fazenda de duzentos annos
=Canção do Vira=
Coa comade pode
Pode
Quá o quê
Afinca
Afinca
=Lagoa Santa=
Aguas azues no milagre dos mattos
Um cemiterio negro
Ruas de casas despencando a pique
No ceu reflectido
=Viveiro=
Bananeiras monumentaes
Mas no primeiro plano
O cachorro é maior que a menina
Côr de ouro fosco
As casas do valle
São habitadas pela passarada matinal
Que grita de longe
Junto á Capella
Ha um pintor
Marcolino de Santa Luzia
=Sabará=
Este corrego ha trezentos annos
Que attrahe os faiscadores
Debaixo das serras
No fundo da bateia lavada
O sol brilha como ouro
Outrora havia negros a cada metro de margem
Para virar o rio metalico
Que ia no dorso dos burros
E das caravellas
Borba Gato
Os paulistas trahidos
Sacrilegios
O vento
=Ouro Preto=
Vamos visitar São Francisco de Assis
Egreja feita pela gente de Minas
O sachristão que é vizinho da Maria Canna-Verde
Abre e mostra o abandono
Os pulpitos do Aleijadinho
O tecto do Athayde
Mas a dramatização finalizou
Ladeiras do passado
Esquartejamentos e conjurações
Sob o Itacolomy
Nos poços mecanicos policiados
Da Passagem
E em alguns maus alexandrinos
Só o Morro da Queimada
Fala do Conde de Assumar
=Congonhas do Campo=
Ha um hotel novo que se chama York
E lá em cima na palma da mão da montanha
A igreja no circulo architectonico dos Passos
Paineis quadros imagens
A religiosidade no socego do sol
Tudo puro como o Aleijadinho