[Footnote 31: O _atavismo_ é rigorosamente a hereditariedade da
raça, mas phenomenos ha n’elle que dependem da hereditariedade da
familia, como certas disposições morbidas, etc.]
[Footnote 32: Cito de memoria, se erro não vem d’ahi grande mal á
doutrina. Creio que é Bunsen ou Champollion, ou ambos, além d’outros,
que fallam d’isto.]
[Footnote 33: Conto de Rig.]
[Footnote 34: Ib.]
[Footnote 35: _Doido_ lhe chama Froisard.]
[Footnote 36: Para não me alongar, cito apenas os exemplos denunciados
n’um _christianissimo_ artigo que tenho diante dos olhos,
publicado por E. Jouveaux na _Revue moderne_--Mai, 25--1869.
Muitos mais poderia citar.]
[Footnote 37: «A ordem do dia» VII.--Lisboa, 1868.]
[Footnote 38: Esta apreciação critica foi publicada na «Revolução
de Setembro» vae em dois annos. Sahe tal qual sahiu então, para bem
se julgar das previsões e reflexões que se fizeram e que os factos
confirmaram. Ainda vinha longe Sedan, a cambalota final do Cesarismo
napoleonico. Muitos a julgavam impossivel e riram-se da previsão. Bem
se diz: «_Rira bien qui rira le dernier._» O estudo consciencioso
e desafogado podia rir-se agora tambem, se não tivesse antes e muito
para lamentar.
Duas palavras mais.
Uma catastrophe immensa estrasfegou o talento brilhante que produzira
a «_Republica_.» Não faltaram pedras sobre o misero. Parecia que
havia pressa em acabar de esmagar um grande talento, cujos fulgores
incommodavam muitos noitibós.
Esta azafama que ainda não vae extincta fez com que se hesitasse na
insersão aqui da apreciação critica, porque se receiava que alguma alma
podre e hypocrita, quizesse fazer entrar tal publicação no estrasfego
odiento.
Vae d’ahi, reflectiu-se que era melhor não pensar no que entençasse a
tal alminha, e inserir-se o escripto que demais, dava alguns traços
do caracter psychico de Vieira, por maneira que não teve o auctor que
alterar quando verificou o esboço pelo conhecimento pessoal que travou
depois com o talentoso e ardente moço. Depois, aqui discute-se uma
obra, não um homem.
Oh, sobre este havia bem que dizer, havia. Havia que levantar as
gravissimas questões amarrotadas, desdenhadas, esmagadas no Tribunal
pela ignorancia e má fé mais desaforadamente petulante, pelo
_caturrismo_ d’um _veredictum_ que tem toda a brutalidade
d’um facto em bruto.
Oh! se havia que dizer do homem, do _veredictum_, e da
sociedade!...]
[Footnote 39: _Gœthe et Schiller_, por E. Rambert (Revue
Suisse--feb. 1869).]
[Footnote 40: Quando digo _sensações sensoriaes_, fallo das
sensações _externas_ e _internas_, como vulgarmente se
classificam, e não excluo as que se dão sem realidade objectiva que as
provoque, e que constituem o estado pathologico da _allucinação_,
estado a que porventura se poderia reduzir algumas vezes, creio, o
_mens divinior_ dos antigos. Esta ultima observação é minha, as
anteriores são de Luys (_Recherches sur le système nerveux_, etc.,
etc., cit. par Littré) e E. Littré--_De la méthode en psychologie_
(Phil. posit.--Revue--1.^er vol.)]
[Footnote 41: Seguia-se a seguinte quadra, que não apparece na
collecção, e que eu acho não só egual em belleza ás citadas, mas
superior a algumas:
«Quando o _annel_ da bôca lusidia,
Vermelha _como a rosa cheia d’agua_
Em beijos á saudade abrindo a mágoa
_Mil rosas_ pela face me esparzia;
]
[Footnote 42: Variante:
«Oh lagrima das lagrimas que choro!»
]
[Footnote 43: _Superiorité des arts modernes._]
[Footnote 44: _Cours fam. de litt._]
[Footnote 45: Shaksp.--_Rom. and Julieta._]
[Footnote 46: Dante.]
[Footnote 47: Edgar Quinet.]
[Footnote 48: _Henry IV_--act. 2. scena 5.^a]
[Footnote 49: Stuppuy.]
[Footnote 50: _Troy book_, cit. por Coquerel--_Hist. abr. de la
litt. anglaise_.]
[Footnote 51: Eug. Veron--_Superiorité des arts modernes_.]
[Footnote 52: Belleforest apparece-nos condecorado com o titulo de
historiographo de Henrique III. A sua obra foi traduzida no tempo de
Shakspeare com o titulo de _Historie of Hamblett_, Coquerel, etc.]
[Footnote 53: _Descurets_.]
[Footnote 54: Cit. por Descurets.]
[Footnote 55: Ib.]
[Footnote 56: Os tres maiores escandalos que pelos modos tenho
comettido, são:
1.^o Rir-me da collocação do menino Aleixo em typo sem egual no theatro
contemporaneo.
2.^o Rir-me mais ainda do titulo de «primeiro critico contemporaneo»
com que um periodico lisboeta agraciou um sujeito qualquer cá da terra.
3.^o Augmentar-se-me a hilaridade com a noticia de que uma comediasita
_allegorica_ do snr. Gayo vinha a rivalisar vantajosamente com as
de Aristophanes.
No fim de tudo não é preciso recorrer a João Paulo ou Hobbes para
explicar aquelle riso, creio.]
[Footnote 57: Além d’esta, (publicada na _Revolução de Setembro_),
appareceram tres outras apreciações criticas do drama: uma de Garcia
Navarro, um dos mais formosos e solidos talentos que tem sahido da
Universidade, outra de Oliveira Martins e outra de Ramalho Ortigão.
Todas concordavam nos pontos essenciaes, embora cada qual tivesse sua
feição particular.
Apreciações panegyristas appareceram bastantes, entre ellas uma em que
o auctor partia da confissão menos ingenua do que se podia julgar, de
que fôra commensal do dramaturgo e lhe devia obsequiosidades, etc.,
etc. Revelações ... de critica _leal_.
Andou accesa na imprensa uma guerrasinha e não faltaram injurias aos
que não afinaram pelo diapasão encomiastico.
Não vale a pena mexer n’isso. Convém, porém, transcrever as seguintes
linhas publicadas na _Revolução de Setembro_:
DECLARAÇÃO.--O _Diario Popular_ publica hoje o seguinte:
«Do nosso amigo e distincto escriptor, o snr. Silva Gayo, recebemos
a seguinte carta, que nos damos pressa de publicar. Devemos dizer,
segundo indicação do snr. Gayo, _que a carta se deve suppôr
dirigida a todos os nossos collegas_ da imprensa lisbonense:
«Bussaco, 21 d’outubro de 1869.
«_Meus presados amigos e senhores.--Não posso resignar-me a estar
longe dos meus amigos_, quando vejo publicados insultos, que, por
minha causa, lhes dirigem.
«Ahi vão duas palavras firmadas com o meu nome, de que vv. farão o
uso que tiverem por mais digno.
«Não sou inimigo, nem depreciador do snr. Luciano Cordeiro; mas
tambem não sou amigo de s. exc.^a, com quem, duas ou tres vezes
apenas, e _accidentalmente_, fallei.--Dá-me este senhor
o seguinte _conselho_: «Não se fascine com popularidades
inscientes ou _venaes_.»
«Esta palavra é um insulto atirado a mim, e a quantos me tem
honrado.--Mais abaixo diz o mesmo senhor: «O AMIGO não
maculou, creio, a dignidade da critica.»
«Permitta-me o snr. Cordeiro que eu, por honra dos meus amigos, não
aceite na minha a mão que parece estender-me.--Nada mais.--_A.
Silva Gayo_.»
O publico importa-se pouco que o snr. Gayo seja ou não inimigo,
depreciador ou amigo da minha humilde pessoa; e sem prosapia o digo,
não me importa tambem com isso mais do que o publico.
Recebi do snr. Gayo cumprimentos muito lisongeiros e «protestos de
muita consideração» que me não pesaram no animo nem deviam pesar,
creio, quando tive de fazer a critica das obras que aquelle senhor
sujeitou á minha apreciação humilde, offerecendo-m’as.
Não conhecia, de nome sequer, o snr. Gayo, quando elle se
lembrou,--não sei se _accidentalmente_,--enviar-me o seu livro
_Mario_ pelo nosso commum amigo Manoel d’Arriaga, que foi tambem
quem mais tarde me apresentou o auctor.
Falla o snr. Gayo em insultos dirigidos aos seus amigos.
Nada tenho com isso, mas se receber insultos por causa do snr.
Gayo, indicasse ser amigo d’elle, teria--_malgré moi_,--que
considerar-me hoje tal.
Entenda, porém, que a palavra _amigo_, empregada na minha
critica, não tem a significação importante e restricta que parece
dar-lhe, e que o conselho: «não se fascine com _popularidades_
inscientes ou venaes», significa que taes popularidades existem ou
podem existir e _fascinal-o_, mas não que eu confunda com ellas
os panegyricos de tres ou quatro amigos de s. exc.^a, alguns dos
quaes respeito fóra do campo da critica litteraria, e os applausos da
platéa do D. Maria II em algumas representações e a algumas phrases
do _Fr. Caetano_.
Tenha paciencia o snr. Gayo, mas d’aquillo a uma _popularidade_
vae por ora distancia enorme. E felizmente que vae. Com relação
ao ultimo periodo da declaração do snr. Gayo, dir-lhe-hei que se
engana. Não lhe estendi a mão e sinto-me inclinado a arrepender-me
de ter-lhe recebido a sua mão na minha, alguma vez. Melhor fôra que
a do snr. Gayo se occupasse em defender a sua obra nos pontos em
que por mãos leaes e honradas foi atacada, do que a escrever estas
declaraçõesinhas insignificativas d’auctor amuado. Nada menos.
]
[Footnote 58: _Revolução de Setembro_, n.^o 8271.]
[Footnote 59: _A India Portugueza_--Anno IX, n.^o 463.]
[Footnote 60: «Jornal do Commercio», n.^{os} 4251 e 4252, transc. por
varios periodicos de Portugal e Brazil.]
[Footnote 61: Que se bem me lembra, Guizot diz, ter só existido em
França. A razão duvída, a historia nega-o.]
[Footnote 62: Guizot.--Hist. de la civilisation _en France_.]
[Footnote 63: Isto não é por ora ponto positivamente historico. Vid.
Busen, «Logar do Egypto na historia da Civilisação.»]
[Footnote 64: Discurso de Phebus Moniz.--Memorias da Academia das
Sciencias, cit. por Rebello da Silva e Oliveira Martins.]