O unico _aguarellista_ que se apresenta na Exposição, é um moço
neophyto n’este genero, que se póde dizer completamente abandonado
entre nós.
É Raphael Bordallo.
Modestamente appellida elle as suas composições: «_Estudos a
aguarella_», e formosos _estudos_ são decerto, que muito dão já
e muito mais promettem.
O «_Vendedor de phosphoros_», o «_Vendedor de palitos e
rocas_», o «_Saloio_», o «_Jogo da marca_», e a «_Cabeça
de estudo_», são producções brilhantes, que honram um pincel que mal
começa agora a apresentar-se á critica, n’um genero que mal principia a
conquistar logar modesto na nossa arte.
Raphael não tem ainda a suavidade relativa de _tintas_ que
caracterisa os mestres; os ares são exageradamente carregados; emfim
o colorista _enragé_ do accidente como diria Veron, lucta com as
exigencias e condições do genero.
O desenho é geralmente indeciso ou mau.
No «_Jogo da marca_», recente producção do sympathico artista,
taes defeitos apparecem attenuados.
É uma das melhores _aguarellas_ da Exposição.
O grupo de rapazes está excellentemente estudado e apresenta no
conjuncto e parcialmente um naturalismo encantador, deixem dizer assim,
que é a principal belleza que Raphael Bordallo parece procurar.
É mais do que um estudo.
É uma bem estudada _aguarella_.
Vi-a nascer quasi e foi ella que me consolidou as esperanças no talento
d’este moço. Resta-lhe muito a fazer e principalmente muito a estudar.
Raphael Bordallo é filho do artista de que precedentemente fallei:
É uma familia d’artistas, aquella.
Um outro filho, uma creança, ainda, maneia já o lapis com firmeza
rarissima em mão infantil.