CCLXVI.

Sempre, cruel Senhora, receei,

Medindo vossa grã desconfiança,

Que désse em desamor vossa tardança,

E que me perdesse eu, pois vos amei.

Perca-se, em fim, ja tudo o qu'esperei,

Pois n'outro amor ja tendes esperança.

Tão patente será vossa mudança,

Quanto eu encobri sempre o que vos dei.

Dei-vos a alma, a vida e o sentido;

De tudo o qu'em mi ha vos fiz senhora.

Prometteis, e negais o mesmo Amor.

Agora tal estou, que de perdido,

Não sei por onde vou, mas algum'hora

Vos dará tal lembrança grande dor.

Obras Completas de Luis de Camões, Tomo II · 第 298 / 391 题