CCIV.

Nos braços de hum Sylvano adormecendo

Se estava aquella Nympha qu'eu adoro,

Pagando com a boca o doce foro,

Com que os meus olhos foi escurecendo.

Oh bella Venus! porqu'estás soffrendo

Que a maior formosura do teu côro

Em hum poder tão vil perca o decoro

Que o merito maior lhe está devendo?

Eu levarei daqui por presupposto

Desta nova estranheza que fizeste,

Que em ti não póde haver cousa segura.

Que, pois o claro lume, o bello rosto

Áquelle monstro tão disforme déste,

Não creio qu'haja Amor, senão Ventura.

Obras Completas de Luis de Camões, Tomo II · 第 236 / 391 题