CXCIV.

Cá nesta Babylonia donde mana

Materia a quanto mal o mundo cria;

Cá donde o puro Amor não t[~e]e valia;

Que a Mãe, que manda mais, tudo profana;

Cá donde o mal se affina, o bem se dana,

E póde mais que a honra a tyrannia;

Cá donde a errada e cega Monarchia

Cuida que hum nome vão a Deos engana;

Cá neste labyrintho onde a Nobreza,

O Valor e o Saber pedindo vão

Ás portas da Cobiça e da Vileza;

Cá neste escuro caos de confusão

Cumprindo o curso estou da natureza.

Vê se me esquecerei de ti, Sião!

Obras Completas de Luis de Camões, Tomo II · 第 226 / 391 题