CXCII.

Agora toma a espada, agora a pena,

Estacio nosso, em ambas celebrado,

Sendo, ou no salso mar de Marte amado,

Ou n'água doce amante da Camena.

Cysne sonoro por ribeira amena

De mi para cantar-te he cobiçado;

Porque não podes tu ser bem cantado

De ruda frauta, nem de agreste avena.

Se eu, que a penna tomei, tomei a espada,

Para poder jogar licença tenho

Desta alta influïção de dous Planetas;

Com huma e outra luz delles lograda,

Tu com pujante braço, ardente engenho,

Serás pharo a Soldados e a Poetas.

Obras Completas de Luis de Camões, Tomo II · 第 224 / 391 题