CLVII.

Tanto se forão, Nympha, costumando

Meus olhos a chorar tua dureza,

Que vão passando ja por natureza

O que por accidente hião passando.

No que ao somno se deve estou velando,

E venho a velar só minha tristeza:

O chôro não abranda esta aspereza,

E meus olhos estão sempre chorando.

Assi de dor em dor, de mágoa em mágoa,

Consumindo-se vão inutilmente,

E esta vida tambem vão consumindo.

Sôbre o fogo de amor inutil ágoa!

Pois eu em chôro estou continuamente,

E do que vou chorando te vás rindo.

Assi nova corrente

Levas de chôro em foro;

Porque de ver-te rir, de novo chóro.

Obras Completas de Luis de Camões, Tomo II · 第 189 / 391 题