CXXXVI

Árvore, cujo pomo bello e brando

Natureza de leite e sangue pinta,

Onde a pureza, de vergonha tinta,

Está virgineas faces imitando;

Nunca do vento a ira, que arrancando

Os troncos vai, o teu injúria sinta;

Nem por malícia de ar te seja extinta

A côr que está teu fructo debuxando.

E pois emprestas doce e idoneo abrigo

A meu contentamento, e favoreces

Com teu suave cheiro a minha gloria;

Se eu não te celebrar como mereces,

Cantando-te, se quer farei comtigo

Doce nos casos tristes a memoria.

Obras Completas de Luis de Camões, Tomo II · 第 168 / 391 题