XCIX.

O raio crystallino se estendia

Por o mundo da Aurora marchetada,

Quando Nise, pastora delicada,

Donde a vida deixava se partia.

Dos olhos, com que o sol escurecia,

Levando a luz em lagrimas banhada,

De si, do fado, e tempo magoada,

Pondo os olhos no Ceo, assi dizia:

Nasce, sereno sol, puro e luzente;

Resplandece, purpurea e branca aurora,

Qualquer alma alegrando descontente;

Que a minha, sabe tu que desde agora

Jamais na vida a podes ver contente,

Nem tão triste nenhuma outra pastora.

Obras Completas de Luis de Camões, Tomo II · 第 131 / 391 题