XXXI.

Pede o desejo, Dama, que vos veja:

Não entende o que pede; está enganado.

He este amor tão fino e tão delgado,

Que quem o t[~e]e, não sabe o que deseja.

Não ha cousa, a qüal natural seja,

Que não queira perpétuo o seu estado.

Não quer logo o desejo o desejado,

Só porque nunca falte onde sobeja.

Mas este puro affecto em mim se dana:

Que, como a grave pedra t[~e]e por arte

O centro desejar da natureza;

Assi meu pensamento por a parte,

Que vai tomar de mi, terreste e humana,

Foi, Senhora, pedir esta baixeza.

Obras Completas de Luis de Camões, Tomo II · 第 63 / 391 题