XI.

Passo por meus trabalhos tão isento

De sentimento grande nem pequeno,

Que só por a vontade com que peno

Me fica Amor devendo mais tormento.

Mas vai-me Amor matando tanto a tento,

Temperando a triaga co'o veneno,

Que do penar a ordem desordeno,

Porque não mo consente o soffrimento.

Porém se esta fineza o Amor sente

E pagar-me meu mal com mal pretende,

Torna-me com prazer como ao sol neve.

Mas se me vê co'os males tão contente,

Faz-se avaro da pena, porque entende

Que quanto mais me paga, mais me deve.

Obras Completas de Luis de Camões, Tomo II · 第 43 / 391 题