N'UM CONVENTO

Como a agua em funda gruta

Gotta a gotta filtra e cái,

Sem saber quem isso escuta

O que lá por dentro vai:

Como ao longe incerta e baça

N'uma igreja alveja a luz,

Que da lampada esvoaça

E a vidraça reproduz:

Mal te vi, moira encantada!

Mas á luz dos olhos teus

Murcha a lampada sagrada

D'um altar do nosso Deus.

Mal te ouvi, mas as suaves

Melodias, que te ouvi,

São mais dôces que as das aves

Da aldêa onde nasci!

Quem teve, bella captiva,

Coração de te deixar

Aqui enterrada viva,

Sem amor, sem luz, sem ar!

Era cego e surdo, juro,

O miseravel algoz

Que não viu olhar tão puro,

Não ouviu tão pura voz!

Eu não tendo a faculdade

D'arrazar esta prisão,

Sacrifico a liberdade

Por tão dôce escravidão!...

Coimbra.

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Flores do Campo · 第 72 / 142 题