Varios Poetas vieram á Madeira
(Pela fama que tem) a ares do Mar:
Uns p'ra, breve, voltarem á lareira,
Outros, ai d'elles! para aqui ficar.
Esta ilha é Portugal, mesma é a bandeira,
Morrer n'esta ilha não deve custar,
Mas para mim sempre é terra extrangeira,
Á minha patria quero, emfim, voltar.
Ilhas amadas! Ceu cheio de luas!
Ah como é triste andar por essas ruas,
Pallido, de olhos grandes, a tossir!
Eu vou-me embora, adeus! mas volto a vêl-as,
Vou com as ondas, voltarei com ellas,
Mas como ellas p'ra tornar a ir!
Ilha da Madeira, fevereiro, 1899.
25
Meu pobre amigo! Sempre silencioso!
Assim eu fui. Scismava, lia, lia...
Mudei no entanto de Philosophia.
Não creio em nada! e fui tão religioso!
Tomei parte no Exercito gloriozo
Que foi bater-se por Israel, um dia!
Cri no Amor, no Bem, na Virgem Maria,
Não creio em nada! tudo é mentirozo!
Não vale a pena amar e ser amado,
Nem ter filhos d'um seio de mulher
Que ainda nos vêm fazer mais desgraçado!
Não vale a pena um grande poeta ser,
Não vale a pena ser rei nem soldado
E venha a Morte, quando Deus quizer!
St. Johann-am-Platz, outubro, 1899.