Emilias

(A UMA SENHORA QUE NÃO QUER SER EMILIA)

Emilia és, quer queiras, ou não queiras:

Que lindo nome o teu, soante de brizas!

É um nome de pastoras e moleiras,

Loira morgada do solar dos Nizas!

Muitas Emilias ha, entre ceifeiras,

Ha Emilias nos serões das descamizas...

Se tu, Senhor! dás nome ás Amendoeiras

Com o nome de Emilia é que as baptizas!

Que Santa Emilia te acompanhe, Rainha!

E com a tua Mãe seja madrinha,

Quando ella, um dia, te levar á Igreja!

E, ó pura Gloria, que em teus olhos brilha!

Dôces presagios meus, que a tua filha

Seja loira tambem e Emilia seja!

Ilha da Madeira, novembro, 20, 1898.

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O coração dos homens com a idade,

A pouco e pouco, vae arrefecendo...

Quão diversos me vão apparecendo

Do que eram ao abrir da mocidade!

O sorrizo não tem já lealdade,

Lagrimas são difficeis... não as tendo.

Palavras não vos faltam, estou vendo

Mostrar o que sentis só por vaidade.

Já não me illude, a Gloria que sonhei.

Perdi a fé em tudo quanto amei.

Mas só agora, eu sei o que é viver!

Não fazes bem, assim, em rir de mim!

Tenho tido na vida horrores sem fim,

Mas só agora, eu sei o que é soffrer!

Ilha da Madeira, dezembro, 1898.

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O Senhor, cuja Lei é sempre justa,

Deu-me uma infortunada mocidade,

Talvez para eu saber (o que é verdade)

Quanto é bom ser feliz, mas quanto custa!

Feliz de quem no mundo sem piedade,

Encontrou alma que lhe entenda a sua,

Que o mesmo é que ter na mão a Lua

Tão longe n'essa triste Eternidade!

Os meus dias passavam tristemente

Quando encontrei o teu olhar ridente:

Foi a bençam de luz da Mãe de Deus!

Vaes deixar-me de novo, só na vida!

Ao cabo de viagem tão comprida

Talvez sintas mais perto os olhos meus!

Ilha da Madeira, janeiro de 1899.

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Despedidas: 1895-1899 · 第 28 / 67 题