A JUSTINO DE MONTALVÃO

Em St. Maurice (aqui perto) ha um convento

De Franciscanos. Fui-me lá ha dias.

Quando eu entrei, tocava a Avè-Marias.

Iam ceiar. Fóra mugia o vento.

Um pallido Christo, ao fundo da sala,

Espalha em redor seu alvo clarão;

E, quando se reflecte a Cruz pelo chão,

Os frades ingenuos não ousam pisal-a.

«Meu irmão...» disseram, ao verem-me á porta.

Vontade, Senhor, tive eu de chorar!

Tão só me sentia, pela noite morta...

E quando na volta, á luz das estrellas,

Meu doido passado me vim a evocar,

Pensei no perdão d'uma alma d'aquellas.

Bex, junho, 1896.

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Senhora! a todas as novenas ides,

E porque vós lá ides, vou tambem.

É um descanço sem par ás minhas lides,

Aos meus males, e em summa faz-me bem.

Essas graças que tendes (vós sorrides?)

Só nas flôres as vejo, em mais ninguem.

Se o vosso corpo é magro como as vides,

Os cachos d'uvas que o cabello tem!

Fazeis-me andar n'uma continua roda,

Pelas igrejas da cidade toda,

S. Luiz de França, Encarnação e mais.

Senhora! assim commigo em beato dais,

Faço-me frade e vou para um convento...

E adeus! que lá se vae o cazamento!

Lisboa, janeiro, 1897.

11

Ha já duzentos soes, ha quatro luas,

Que te pedi que a Igreja abandonasses.

Tu és cruel, Senhora! continúas,

Como se agora apenas começasses.

Á sexta-feira e ao sabbado jejuas,

E tanto te pedi que não jejuasses.

E o que dóe mais, Senhora, é que insinuas

Em voz que tanto dóe: «Se me imitasses...»

Nenhuns peccados tens. És anjo e santa.

Boa como o ceu, simples como a planta,

Cozes p'ros pobres, fazes boas-obras!

Quaes são os teus peccados? peccadores

Senhora! são os vossos confessores.

Homens e basta: são máos como as cobras!

Lisboa, 1897.

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Despedidas: 1895-1899 · 第 21 / 67 题