Londres, maio.
_Meu caro patricio._--Só hontem á noite, tarde, ao recolher do campo,
encontrei o bilhete com que consideravelmente me honrou, perguntando á
minha experiencia--«qual é o melhor alfaiate de Londres». Depende isso
inteiramente do fim para que V. necessita esse Artista. Se pretende
meramente um homem que lhe cubra a nudez com economia e conforto, então
recommendo-lhe aquelle que tiver taboleta mais perto do seu Hotel. São
tantos passos que forra--e, como diz o _Ecclesiastes_, cada passo
encurta a distancia da sepultura.
Se porém V., caro patricio, deseja um alfaiate que lhe dê consideração e
valor no seu mundo; que V. possa citar com orgulho, á porta da Havaneza,
rodando lentamente para mostrar o córte ondeado e fino da cinta; que o
habilite a mencionar os Lords que lá encontrou, escolhendo d'alto, com
ponta da bengala, cheviotes para blusas de caça; e que lhe sirva mais
tarde, na velhice, á hora gêba do rheumatismo, como recordação
consoladora de elegancias moças--então com ardente instancia lhe
aconselho o Cook (o Thomaz Cook) que é da mais extremada moda,
absolutamente ruinoso, e falha tudo.
Para subsequentes conselhos de «fornecedores», em Londres ou outros
pontos do Universo, permanece sempre ao seu grato serviço--Fradique
Mendes.