Eu vejo-as abraçadas,
Ambas em luto envoltas,
Co' as loiras tranças soltas,
Cobrindo os hombros nús;
A desprender gemidos
Dos seios palpitantes,
E os olhos supplicantes
Fitos na mesma cruz.
E pende-lhes dos pulsos
A mesma atroz cadeia,
Seus labios incendeia
A mesma imprecação:
«Infamia eterna! (exclamam)
Aos nossos oppressores!
Senhor! vêde os horrores
Da nossa escravidão!»
--Mas quem sois vós, augustas
Imagens do martyrio?
Que assustador delirio
Vos tem curvado assim?
Em vossos rostos leio
A dor, a magoa, a insonia:
«Eu chamo-me--Polonia.
--E eu sou a pobre Erin...»
A. DE SOUSA PINTO, _Ideias e Sonhos_,
p. 11. Lisboa, 1872.