ALBERTO TELLES.

* * * * *

Quando te vejo, é como se no mundo

Ninguem mais existisse alem de nós.

Não vejo mais ninguem: reinas a sós,

E em ti com tudo o mais eu me confundo.

A terra, o vasto mar, o céo profundo

São accessorio teu; e na tua voz

Ouço a toada harmonica e veloz

De quanto ha n'este espaço em que me inundo.

Nas dobras d'este manto universal,

Em que tudo o que é, se involve e alista,

Creio que só de ti vem bem e mal;

Tudo se move, e move-o a tua vista,

E, se a verdade queres que te fale,

Não sei se Deus és tu, se um Deus exista...

Parnaso portuguez moderno · 第 110 / 267 题