* * * * *
Quando te vejo, é como se no mundo
Ninguem mais existisse alem de nós.
Não vejo mais ninguem: reinas a sós,
E em ti com tudo o mais eu me confundo.
A terra, o vasto mar, o céo profundo
São accessorio teu; e na tua voz
Ouço a toada harmonica e veloz
De quanto ha n'este espaço em que me inundo.
Nas dobras d'este manto universal,
Em que tudo o que é, se involve e alista,
Creio que só de ti vem bem e mal;
Tudo se move, e move-o a tua vista,
E, se a verdade queres que te fale,
Não sei se Deus és tu, se um Deus exista...