[1] Vid. _Antologia portugueza_, n.º 40.
[2] Vid. _Antologia portuguesa_, n.º 69.
[3] A estas trovas allude o bispo Frei João de Sam José Queiroz, nas
_Memorias_: «O que entendo é que a maior parte das casas de Hespanha,
está como as de Portugal, onde entra _Maria Pinheira_...» (p. 65.) Do
principio do seculo XVI é essa quadra popular contra D. José de Mello,
esmoler de D. Manuel, confirmado bispo da Guarda em 1517:
O bispo que deixa a Sé
Por se metter na Mesquita
Mouro foi e mouro é,
Pois d'ella se não desquita.
A voz popular apodava-o por nunca ter ido ao seu bispado, vivendo com
D. Helena de Mesquita, de quem teve filhos, e a quem fez abbadeça. (Ms.
da Academia, G. 5., Est. 8, n.º 50.)
[4] _Canc. popular portuguez_, p. 40.
[5] Eis um epigramma tradicional ácerca da batalha de Montes-claros:
Passou da marca o _Marquez_,
No valor e ousadia,
_Sam João_ teve o seu dia
Aos dezesete do mez.
O meu _Cezar_ d'esta vez
Soube vir ver e vencer.
Com _Jaquez_ não ha perder,
_Menezes_ todo he Luiz,
O _Diniz_ fez o que quiz,
Não ha mais Flandres que _Schomber_.
Fonseca, _Evora gl._ p. 181.
[6] Até 1839 attribuia-se ao Dr. Jose Anastacio da Cunha a poesia a
_Voz da Razão_; hoje temos a prova de que foi Bocage o seu auctor.
Deixemos aqui esse processo critico, já que o não podémos incluir
no nosso livro _Bocage, sua vida e epocha litteraria_. No processo
do Santo Officio contra Jose Anastacio da Cunha não se allude nem
remotamente á _Voz da Razão_, e Innocencio (_Dicc. bibl._, t. IV, p.
225) sustenta como absolutamente infundada a opinião vulgar, não se
atrevendo comtudo a poder determinar quem fosse o verdadeiro auctor. A
favor de Bocage apresentamos os seguintes factos: 1.º Na edição da _Voz
da Razão_, de 1822, é que se lhe impoz este titulo, porque nos diversos
manuscriptos corre quasi sempre com o titulo de _Verdades singelas_,
e se ligava com as _Verdades duras_, titulo com que o Intendente
Manique apprehendeu a _Pavorosa_ de Bocage em 1797. 2.º Na carta 1.ª
ao seu amigo Anelio, o auctor da _Voz da Razão_ chama-se a si mesmo
_Lidio_; se nos lembrarmos que só desde 1790 é que Bocage deixou de se
assignar _L'Hedois_ de Bocage, está achado o cryptonymo poetico com
que se designava n'estas composições. 3.º Excluida a paternidade do
Dr. José Anastacio da Cunha, cujo ideal poetico era outro, como se vê
pela _Oração universal_, em quem, se não em Bocage se pode encontrar
essa audacia e fórma popular de bom senso? Crêmos que é um problema
resolvido.
[7] Uma carta de A. Herculano, dirigida a Soares de Passos em 5 de
agosto de 1856, na qual lhe diz «fui poeta até aos vinte cinco annos»
termina considerando-o como successor de Garrett. Herculano protestou
sempre contra a bajulação insciente que dava a Castilho o primeiro
logar entre os lyricos modernos portuguezes. (Vid. prologo das _Lendas
e Narrativas_.)
[8] No vol. XIII do _Instituto_ de Coimbra, p. 239 em um artigo
sobre o futuro da Musica, do sr. A. de Quental se lê: «Não creio
que o positivismo um tanto estreito de A. Comte, Littré e da ultima
eschola franceza, nos dê completa a philosophia do futuro. Mas se
o alargarmos, segundo o espirito do hegelianismo, a ponto de caber
n'elle a Metaphysica excluida por A. Comte (tendencia que já se nota em
Taine, Renan e Vacherot, e no positivismo inglez de que é chefe Stuart
Mill) n'esse caso tenho para mim que a Philosophia assentará n'uma
base tão solida, que não será muito aventurar dizer que está achada e
definitivamente constituida a philosophia do futuro.»
[9] Ha curiosos que a muito custo conseguiram colleccionar os numerosos
folhetos, que pollularam como mosquitos do nosso mephitismo litterario,
por esta occasião. É o documento mais espontaneo e inconsciente do
marasmo intellectual a que se havia descido. Vid. art.º _Bom senso e
bom gosto_, no _Supp. ao Dicc. bibl._ de Innocencio.