Que do seu coração já possessora
Não fosse a virgem, suspeitavão muitos;
No em tanto d'infinitos requestada,
E a nenhum acolhendo, persistia
De todo o laço conjugal isenta
A juvenil Francina: e desde o instante
Em que das Adriaticas paragens
Se retirou Lanciotto a pagãos climas,
O sorriso expirou nos labios d'ella;
Meditabunda e pallida tornou-se;
Confissões amiudava, e já não era
Tão vista em mascaradas e assembleas;
Ou, se lá ia, os olhos seus descidos
Avassalavão, n'um volver furtivo,
Mil corações de balde suspirosos:
Nenhum objecto contemplava attenta;
Não punha em atavios tanto apuro,
Nem já tão terno desprendia o canto;
Seus passos, bem que leves, o erão menos
Que os dos parceiros seus, a quem na dança
Colhia absortos o raiar d'aurora.