Encontramos mais uma prova da não existencia do _Fado_ no seculo XVIII.
Vem no tomo XIV do _Theatro de Manuel de Figueiredo_:
«... a imperfeição d’alma, que eu padeço pela minha ignorancia, me
não deixou nunca esquecer da graça, que achei nos tocadores de viola,
e rebeca nos proprios lugares, que juntos ião á Penha, e ao Beato
nos Domingos, e dias Santos de tarde (ainda no tempo das espadas)
com a banda direita do capote lançada por cima do hombro esquerdo,
ficando-lhes as mãos fóra delle, e o cotovelo direito: as gentes
corrião atraz daquella repetida tonadilha da _fofa_, e do _fandango_,
como o rancho das galinhas atraz da feliz, que tem a lagartixa no bico».
Estas palavras são de Francisco Coelho de Figueiredo, editor e
commentador do _Theatro_ do irmão.
Francisco C. de Figueiredo nasceu em 1738 e morreu em 1822.
O tomo a que nos referimos sahiu em 1815.