Fado mechanico

A gentil _velocidade_

Pôz-me o peito em _movimento_,

Ficando sempre _constante_

N’este _intervallo de tempo_.

Andava um _ponto no espaço_,

Pela calçada da Gloria,

Sem saber da _trajectoria_,

Com um V 0[70] pelo braço.

Vão ao Terreiro do Paço,

Affectando _gravidade_;

E encontram, ó f’licidade!

No caminho escuro e só,

A mulher do v² ρ[71],

A gentil _velocidade_.

Eis o _plano projectado_!

«Se não vem o F¹,[72]

N’um dôce impulso lhe imprimo

O meu amor _retardado_.

Vê lá tu, que _espaço andado_

Ella tem, n’este _momento_!

Lá vae... no _prolongamento_

D’aquella _diagonal_!

«Que pureza inicial!

Poz-me o peito em movimento!

«Pára, agora, em _m_...[73]

Ah! meu Deus, se ella me vê!

Ó cousa! espera um _dt_,[74]

Não te affastes d’esta _linha_.

«--Senhora, deusa, rainha,

D’este amôr, só, _resultante_,

Dê-me attenção n’este _instante_!...

--Então, senhor! o meu esposo!...

Deixe-me estar em _repouso_,

Ficando sempre _constante_.

«--Ai! meu Deus! que _resistencia_,

Que _attracção_, que _força viva_!

Gosto de a vêr pensativa...

Dá-me um beijo, v. ex.ᵃ?

--Senhor _ponto_, que insolencia!

De onde parte o seu intento?»

«--Senhora, o meu _elemento_

Nunca _mudou de sentido_!»

Eis que apparece o marido

N’este _intervallo de tempo_!

A triste canção do sul (subsidios para a historia do fado) · 第 39 / 60 题