CAPITULO ULTIMO.

Quanto he justo que se favoreça o Brazil por ser de tanta utilidade ao

Reino de Portugal.

Pelo que temos dito até agora, não haverá quem possa duvidar de ser

hoje o Brazil a melhor e a mais util conquista, assim para a fazenda

real, como para o bem publico, de quantas outras conta o Reino de

Portugal, attendendo ao muito que cada anno sahe destes portos, que são

minas certas, e abundantemente rendozas. E se assim he, quem duvida

tambem que este tão grande e continuo emolumento merece justamente

lograr o favor de Sua Magestade e de todos os seus ministros no

despacho das petições que offerecem, e na aceitação dos meios que,

para allivio e conveniencia dos moradores, as camaras deste estado

humildemente propoem? Se os senhores de engenhos, e os lavradores do

assucar e do tabaco, são os que mais promovem hum lucro tão estimavel,

parece que merecem mais que os outros ser preferidos no favor, e achar,

em todos os tribunaes, aquella prompta expedição que atalha as dilações

dos requerimentos, e o enfado, e os gastos de prolongadas demandas. Se

cresce tão copioso o numero dos moradores, naturaes de Portugal, que

cada vez mais povoão as partes, que antes erão desertas, ficando muito

distantes das igrejas, he justo que estas se multipliquem, para que

todos tenhão mais perto o necessario remedio de suas almas. Pagando-se

tão pontualmente á soldadesca, que assiste nas praças, e nas fortalezas

maritimas, não poderião deixar de sentir os que para isso concorrerem,

se com serviços iguaes não fôrem adiantados nos postos. Se pelo seu

trabalho tanto crescêrão os dizimos, que se offerecem a Deos, pede

a razão que os seus filhos idoneos sejão propostos nos concursos, e

provimentos das igrejas vacantes do estado. E sendo commummente tão

esmoleres com os pobres, e tão liberaes para o Culto Divino, merecem

ter a Deos propicio na terra, e remunerador eterno no Céo.

Cultura e opulencia do Brasil por suas drogas e minas · 第 130 / 131 题