CAPITULO XII.

Roteiro do caminho novo da cidade do Rio de Janeiro para as Minas.

Partindo da cidade do Rio de Janeiro por terra com gente carregada, e

marchando á Paulista, a primeira jornada se vai a Irajá; a segunda ao

engenho do Alcaide Mór, Thomé Corrêa; a terceira ao porto do Nobrega

no Rio Iguassú, aonde ha passagem de canôas, e saveiros; a quarta ao

sitio, que chamão de Manoel do Couto.

E quem vai por mar e embarcação ligeira, em hum dia se põe no porto

da Freguezia de Nossa Senhora do Pilar: e em outro, em canôa, subindo

pelo Rio de Morobai acima, ou hindo por terra, chega pelo meio dia ao

referido sitio do Couto.

Deste se vai a cachoeira do pé da serra, e se pousa em ranchos. E

daqui se sóbe á serra, que são duas boas legoas: e descendo o cume, se

arrancha nos pousos, que chamão Frios. No dito cume faz hum taboleiro

direito em que se póde formar hum grande batalhão: e em dia claro, he

sitio bem formozo, e se descobre delle o Rio de Janeiro, e inteiramente

todo o seu reconcavo.

Dos pousos frios se vai á primeira roça do Capitão Marcos da Costa: e

della em duas jornadas á segunda roça que chamão do Alferes.

Da roça do Alferes, em huma jornada se vai ao Páo Grande, roça que

agora principia, e dahi se vai pousar no mato ao pé de hum morro, que

chamão Cabarú.

Deste morro se vai ao famozo Rio Parahyba, cuja passagem he em canôas.

Da parte d’áquem está huma venda de Garcia Rodrigues, e ha bastantes

ranchos para os passageiros: e da parte d’além está a casa do dito

Garcia Rodrigues, com larguissimas roçarias.

Daqui se passa ao Rio Parahibuna em duas jornadas: a primeira no mato,

e a segunda no porto, onde ha roçaria, e venda importante, e ranchos

para os passageiros de huma e outra parte. He este rio pouco menos

caudaloso que o Parahiba: passa-se em canôa.

Do Rio Parahibuna fazem duas jornadas á Roça do contraste Simão

Pereira, e o pouso da primeira he no mato.

Da roça do dito Simão Pereira se vai á de Mathias Barboza: e dahi á

roça de Antonio de Araujo: e desta á roça do Capitão José de Souza:

donde se passa á roça do Alcaide Mór Thomé Corrêa: e desta á de Manoel

de Araujo. E em todas estas jornadas se vai sempre pela visinhança do

Parahibuna.

Da roça do dito Manoel de Araujo, se vai a outra rocinha do mesmo.

Desta rocinha se passa á primeira roça do Sr. Bispo: e dahi á segunda

do dito.

Da segunda roça do Sr. Bispo fazem huma jornada pequena, á borda do

campo, á roça do Coronel Domingos Rodrigues da Fonseca.

Quem vai para o Rio das Mortes, passa desta roça á de Alberto Dias:

dahi á de Manoel de Araujo, que chamão da Resaca, e desta á ponta do

morro, que he arraial bastante, com muitas lavras, donde se tem tirado

grande copia de ouro: e ahi está hum fortim, com trinheiras, e fosso,

que fizérão os Emboabas, no primeiro levantamento. Deste lugar se vai

jantar ao arraial do Rio das Mortes.

E quem segue a estrada das Minas Geraes, da roça sobredita de Manoel de

Araujo da Resaca do Campo vai á roça, que chamão de João Baptista: dahi

á de João da Silva Costa, e desta á roça das Congonhas, junto ao Rodejo

da Itatiaja: da qual se passa ao campo do Ouro Preto, aonde ha varias

roças, e de qualquer dellas he huma jornada pequena ao arraial do Ouro

Preto, que fica mato dentro, onde estão as lavras do ouro.

Todas as referidas marchas faráõ distancia de oitenta legoas a respeito

dos rodeios, que se fazem em razão dos muitos, e grandes morros, e por

rumo de Norte a Sul, não são mais que dous grãos de distancia ao Rio

de Janeiro: porque o Ouro Preto está em vinte e hum grãos, e o Rio das

Velhas estará em vinte, pouco mais ou menos. E todo o dito caminho se

póde andar em dez até doze dias, indo escoteiro quem fôr por elle.

Do campo do Ouro Preto ao Rio das Velhas, são cinco jornadas, pousando

sempre em roças.

Cultura e opulencia do Brasil por suas drogas e minas · 第 117 / 131 题