_Ou construiçaõ das partes da oraçaõ_.
COMO nesta lingua naõ ha variedade de casos, nem de generos, mais que o
que se tem visto, fica facil a combinaçaõ dos verbos com os nomes, como
se verá.
Dous generos de verbos sómente puzemos assima, ou activos, e naõ
activos; e a todos os naõ activos podemos chamar neutros, como lá
explicamos.
Os verbos activos se ajuntaõ com qualquer nome posto absolutamente,
sem proposiçaõ alguma. Ex. _A-iuca iaguara_, matei huma onça.
_A-çauçub Tupã_, Amo a Deos.
Os negativos destes como naõ mudaõ a natureza de activos, tem o
mesmo modo. Ex. _N-a-juca-i iaguara_, _&c._ _Na-çauçub-i
Tupã_, _&c._
Da mesma maneira os mais tempos, e modos variando-se o modo de fallar
conforme a elles.
Na conjunçaõ, e concurso de algumas pessoas com outras, quando huma
he nominativo, e outra accusativo de algum verbo activo, se haõ de
advertir as seguintes regras.
_Primeira regra._
Quando a primeira pessoa, ou a segunda saõ nominativos de algum verbo
activo, e a terceira pessoa lhe ficar accusativo, nos tempos de artigo;
o tal verbo terá seu artigo expresso. Ex. _A-iuca-iaguara_,
_Ere-iuca-iaguára_; e assim nos mais modos de artigo.
_Segunda regra._
Quando a terceira pessoa he nominativo, e a primeira, ou segunda saõ
accusativo; em tal caso a terceira pessoa naõ tem o artigo claro.
Ex. _Pedro xe-juca_, Pedro me mata; e naõ se diz _O-iuca_,
_Nde iuca_, Te mata. _Yande-iucà_, Nos mata. _Pe-iuca_,
Vos mata a vós outros. E se o verbo activo for dos que começaõ pelas
syllabas _Yo_, _Nhe_, perde a tal syllaba. Ex. _Pedro
de-çoc_, Pedro te pica. O verbo _çoc_, he _A-yo-çoc_. E os
verbos activos que se começaõ por _ç_ com zeura, mudaõ o _ç_
em _R_. Ex. _Pedro de r-auçub_, Pedro te ama.
_Terceira regra._
Quando a tal terceira pessoa em nominativo se ajunta com o verbo no
Permissivo modo, ou no Imperativo, os quaes tem por artigo _Tò_,
ex. _To-iuca_, mata elle; havendo de ter accusativo a primeira,
ou segunda pessoa, pôr-se-ha da maneira seguinte: _T-a-xe-iuca
Pedro, Tande-jucà_, Mate-me Pedro, e matarei a ti. _T-iande
iucà_, Mate-nos a nós. _T-a-pe-iuca_, mate-vos a vós outros.
_T-ande-r-a uçub_, Ame-te. A letra _T_ persevera, e faz
syllaba com a primeira vogal do nome seguinte; e se o nome seguinte se
começar por consoante, o artigo _To_, se muda em _Ta_, ex.
_T-ande-çoc_, Pique-te, &c. De modo que nestes modos Imperativo,
e Permissivo, conserva-se a letra _T_ do artigo; e porque se
entremettem os accusativos, _Xe_, _Nde_, que se começaõ por
letras consoantes, ajunta-se a letra _A_ ao _T_ para fazer
syllaba com elle.
_Quarta regra._
Quando a terceira pessoa he nominativo, e tem outra terceira pessoa
por accusativo, em tal caso leva o verbo o seu artigo nos tempos que
tem artigo. _Pedro o-iuca iaguara_, _To-iuca iaguara_,
&c. _Pedro o-çauçub Tupana_, Pedro ama a Deos. _Pedro o-çoc
iaguara_, &c.
_Quinta regra._
Quando a segunda pessoa he nominativo; e tem por accusativo a primeira,
naõ leva o verbo artigo, como dissemos; mas sempre leva comsigo
esta dicçaõ _Yepê_, ex. _De xe-iuca-yepe_, Tu me matas.
_Nde xe çoc yepe_, Tu me picas. _Xe-iucà-yepe_, Mata-me tu.
_Xe-rauçub-yepe_, ama-me tu.
_Sexta regra._
Quando a primeira pessoa he nominativo, e a segunda he accusativo, naõ
se põe artigo no verbo, e serve de accusativo da segunda pessoa esta
palavra _Orò_, que he o mesmo que _Te_ no singular; e no
plurar estoutra palavra _O-po_, que he o mesmo que vós. Ex. _Xe
oro-juca_, Eu te mato. _O-po-iuca_, Eu vos mato a vos outros.
_Ore oro-iuca_, Nós te matamos. _Ore-opo-iucà_, Nós vos
matamos a vós. Os verbos que se começaõ por _ç_ com zeura perdem
o _ç_. Ex. _Xe-oro-auçub_; e naõ se diz _Oro-çauçub_.
_Xe-opo-auçub_, e naõ _O-po-çauçub_. Os verbos que começaõ
pelas syllabas _Nho_, _Yo_, tambem as perdem, ex. _Xe-oro
tim_, eu te enterro. _Oro-çoc_, Eu te pico. Os seis verbos
activos de que temos feito mensaõ atraz nunca perdem a letra _ç_
com zeura, nem a mudaõ em _R_ em nenhum caso dos sobreditos, como
tambem os verbos neutros, que se começaõ pela mesma letra _ç_ com
zeura. Huns, e outros porém a mudaõ em _X_, quando antes de si
tiverem concurrencia da letra _Y_, como fica dito algumas vezes.
Tudo o que se contém nas seis regras precedentes se usa assim nos
tempos, e modos que tem artigos, que saõ todos até o conjunctivo
exclusivamente. Mas para os modos que naõ recebem artigos, que saõ o
conjunctivo, e mais que se seguem, seja por ordem.
_Setima Regra._
Pondo-se quaesquer duas pessoas juntas, qualquer verbo activo, a que
estiver immediatamente antes do verbo lhe fica sendo accusativo.
Ex. _Nde xe-iuca-reme_, Se vós me matardes a mim. _Yxe de
juca-reme_, Se eu vos matar a vós. _Xe Pedro iuca-reme_, Se
eu matar a Pedro. _Pedro iaguara iuca-reme_, Se Pedro matar a
onça. _Iaguara Pedro iuca-reme_, Se a onça matar a Pedro. De mesma
maneira no infinitivo, e gerundios, _Nai-potar-inde xe-iuca_, Naõ
quero que tu me mates. _Oço Pedro iaguara iuca-bo_, Foi Pedro a
matar a onça, &c. Os verbos activos que começaõ por _ç_ com zeura
(tirando os seis de que fizemos mençaõ assima na sexta regra) guardaõ o
que temos dito assima ácerca da mudança, ou perdimento do tal _ç_.
E quando o accusativo fica atrás longe do verbo, o tal _ç_ com
zeura naõ se perde, nem muda; mas serve de relativo, ex. _Tupã ace
çauçub-mé_, Amando homem a Deos. _Tupã_ he accusativo do verbo
_A-çauçub_, mas naõ està immediato ao verbo, porque se entremette
o nome _Ace_.
Todo o verbo activo alem do seu caso direito, a que chamamos
accusativo, pode ter outro algum nome com alguma preposiçaõ. Ex.
_Ai-mon-gueta Tupã nde-rece_, Fallo com Deos de vós, ou rogo a
Deos por vós.
Os verbos neutros todos tem preposições com seus casos.
Quando dous verbos se ajuntaõ na oraçaõ para se saber em que modos se
haõ de pôr; se haõ de advertir as regras seguintes.
_Primeira regra._
Ajuntando-se dous verbos com hum _Que_ no meio. O segundo se põe
no infinitivo, ex. Quero que vas, _Ai-potar de cô_. E se o segundo
for activo, irà ao infinitivo levando comsigo seu caso expresso.
_N-ai-potar-i de xe-r-uba iucâ_, Naõ quero que tu mates a meu pai.
E se for esse segundo neutro, poderà ter seu caso com sua preposiçaõ,
ex. _Ai-cua-i xe rece de maenduar-a_, Bem sei que vos lembrais de
mim. E se o primeiro for neutro, o activo com seu caso lhe serviráõ de
caso com alguma preposiçaõ; ex. _Xe-maenduar de xe-r-auçuba-rece_,
Lembro-me de que me amais.
_Segunda regra._
Ajuntando-se dous verbos sem terem _Que_ no meio, ordinariamente
se compõe hum verbo com outro, fazendo-se de dous hum só verbo: ex.
Quero ir, _A-ço-potar_. Quero matar, _A-iuca-potar_. Sei
fazer, _Ai-monhang-uab_. Faço matar, _A-iuca-ucar_, &c.
_Terceira regra._
Todo o verbo posto no infinitivo póde servir de caso ao outro
verbo, ou com seu caso, sendo activo, como fica dito; ou naõ sendo
activo, sem caso, naõ significando por modo de acçaõ. Ex. Este verbo
_ço_, estando no infinitivo, significa _ir_ por modo de
acçaõ; ou significa _ida_ por modo de nome; desta segunda maneira
põe-se como nome, e rege-se doutro verbo, ou de proposiçaõ. Ex.
_N-a-i-potar-i do ço_, Naõ quero tua ida. _Xe maenduar de rura
rece_, Bem me lembro de vossa vinda.
Desta regra havemos de inferir, que todas as vezes que virmos algum
verbo reger-se doutro, ou de preposiçaõ; que o tal verbo está no
infinitivo, ainda que hora naõ tenha a ultima letra em que se deva
acabar, conforme as regras dos infinitivos; porque ás vezes as ultimas
letras se mudaõ, por respeito de fazer boa consonancia. E assim
se ouvirmos dizer _Xe-rur-i-rè_, saibamos que he o mesmo que
dizer _Xe-rur-a-re_, ou depois de minha vinda. _Xe-jebyr-i
yanonde_, ou _xe-jebyr-a yanonde_, Antes de minha tornada. E só
no infinitivo os verbos tem este uso em todos os tempos, e juntamente
no supino _Aõama_.
_Quarta regra._
O verbo se põe no supino, quando a linguagem falla do supino, ex.
_A_ ver, P_era_ ver. _A-ço xe-ruba r-epiac-aõama_, Vou a
ver meu pai. Este supino tambem recebe preposiçaõ, porque tambem serve
como os infinitivos, ex. _A-iur de r-epiac-aõama rece_.
_Quinta regra._
O verbo se põe no gerundio, quando a linguagem falla delle; o qual
tambem serve de supino; mas naõ admitte ser nome, nem se rege de
verbos, nem de preposições. _Ai-co Tupã mongeta-bo_, Estou
fallando com Deos.
_De algumas partes da oraçaõ, que mandaõ os verbos ao gerundio._
Muitos verbos, e outras partes da oraçaõ ha, que ajuntando-se com
alguns verbos, os fazem ir ao gerundio, dos quaes poremos aqui os mais
communs, e frequentes; os quaes só por se ajuntarem com o gerundio
muitas vezes mudaõ a significaçaõ.
_Aé_, he verbo, significa dizer: junto com este gerundio
_Cepiac-a_, significa ver querendo, ou querer vendo. _Ere
cepiac-a-ne_, Vereis, e querereis.
_Aé catù_, composto, e significa o mesmo que o verbo _Possum
potes_. Eu posso; e pede gerundio em qualquer outro verbo com que se
ajunta, ex. _Ae-catù bae monhang-a_, Posso fazer qualquer cousa. E
negando-se, _Dae-catu-i gui-xo-bo_, Naõ posso ir. _Pedro ei-catû
o-ço-bo_, Pedro póde ir.
_Aeumanî_, Hei-me muito de vagar. _Ere-umanã bae-monhang-a_,
Tu te dás a vagares em fazer isso. _Daei-umanî bae gua-bo ranhe_,
ou _Daei-uman-î bae-ữ-eyma_, Ainda naõ acabo de comer, em começar,
me hei de vagar.
_Aememenhé_, he o mesmo que o de cima. _Aememenhe gui-xo-bo_,
Hei-me de vagar em ir.
_Aenhé_, he o contrario dos de cima lá me apresso. _Aenhe
gui-xo-bo_, Já vou. _Pejenhe pe-ço-bo_, Já vos apressais.
_Aeuman_, he o mesmo que ó de sima, _Aeuman guixobo_, Já vou.
_Taene ranhe_, Eu primeiro. _Taeneranhe guixobo_, Eu irei
diante. Naõ se diz na segunda pessoa _Terene_; mas dir-se-ha
_Nẽi deranhe e-ço-bo_, Vai tu. Na terceira pessoa se diz _Téinhe
o-ço-bo ranhe_, deixa-o ir primeiro, ou _Teinhe_, _To-ço_,
Deixa-o ir. _Teinhe to-ro-çone_, Iremos nós primeiro. _Pẽi
po-ço-bo ranhe_, ide vós outros primeiro.
_Aeje_, _Ereje_, _Eije_, ajuntaõ-se com gerundio:
Ainda continúo fazendo, ex. _Aexegui-xo-bo_, Ainda vou. _Erejé
mbae g-ua-bo_, Ainda estàs comendo. No plurar, _Yae_, ou
_Oroejé_, _Peèjé_, _Eijé_.
_Aetenhe_, _Eretenhe_, _Eitenhé_, Plurar.
_Yaetenhe_, ou _Oroetenhe_, _Pejetenhe_, _Eitenhe_,
significa de balde, ou fazer, ou dizer alguma cousa baldadamente.
Ex. _Aetenhe guijabo_, Digo de balde, ou vámente. _Ere tenhe
eyabo_, _Eitenhe oyabo_, &c. _Aetenhe de-rauçup-a_, De
balde vos amo, com gerundio.
_Aebiter_, _Erebiter_, _Eibiter_, &c. Ainda persevero
em fazer, ou dizer, com gerundio. _Aebiter de-r-auçup-a_, Ainda
persevero em vos amar.
_Ndaeiteé_, _Dereitee_, _Deitee_, &c. com gerundio. Por
essa causa, ou razaõ faço, ou digo, &c. _Daeitee gui-xo-bo_, Por
isso vou. _Deitee o-mano-mo_, Por essa causa morreo.
_Daeique_, _Dereique_, _Deique_, &c. com gerundio.
Naõ fora elle, ou naõ fizera, e naõ lhe acontecera isso. _Deique ò
angaypaba-mo_, Naõ fora elle roim. _Deique ò goata-bo_, Naõ
andarà elle. _Deique ogoa-ta-pytuna_, Naõ andara elle de noite, &c.
_Daeiranhe_, _Dereiranhe_, _Deiranhe_. Plur. &c. com
gerundio. Ainda naõ faço, ou digo. _D-ae-i gui-xo-bo ranhe_,
Ainda naõ vou. Entremette-se sempre o verbo. _Dereipe bae monhang-a
ranhe_, Ainda naõ fizestes nada?
Todos estes precedentes saõ compostos do verbo _Aé_; mas todos saõ
verbos defectivos, porque naõ se usaõ commummente mais que no presente,
e todos tem outra significaçaõ, como se vê, e todos mandaõ ao gerundio
os verbos com que seajuntaõ.
Todos os verbos de movimento levaõ o seguinte verbo ao gerundio, ou
ao supino _Aõama_, ex. _A-ço caa mondo-bo_, Vou acassar.
_A-iur de-repiac-a_, Venho a ver-vos, ou _A-ço-xe-r-uba
r-epiac-aõama_, vou a ver meu pai, &c.
Outras palavras ha tambem que mandaõ os verbos ao gerundio, como saõ as
seguintes.
_Teinhé_, palavra da terceira pessoa, e essa leva ao gerundio,
_Teinhé o-ço-bo_, Deixallo ir, vá embora.
_Tueme_, ou _Etueme_. Plur. _Peteume_, ou
_Petepeume_, saõ segundas pessoas; e só a segunda pessoa mandaõ ao
gerundio. _Tueme e-ço-bo_, Guarte naõ vás.
_Neî_, ou _Eneî_. Plur. _Peî_, ou _Peneî_, Ora sus,
depressa palavras da segunda pessoa tambem. _Neî bae monhang-a_,
Hora faze já alguma cousa.
_Memete_, _Memetene_, _Memetipo_, Quanto mais? _Tupã
omanô, memetipo ace o-mano-me_, Se Deos morreo, quanto mais nós
morreremos.
_Auge_, _Te_, _Teipo_, _Erombyg_, ou senaõ quando,
ou finalmente. Todos levaõ ao gerundio, _Auge xe-gui-xo-bo_,
Finalmente fui, &c.
_Ya_, Ainda bem, com gerundio, _Ya o-mauo-mo_, Ainda bem que
morresse.
_Aeibè_, _Aeibemo_, Logo entaõ, com gerundio. _Aeibe
o-ço-bo_, Logo entaõ foi. _Aeibemo o-ço-bo_, Logo entaõ havia
de ir. A syllaba _Mo_, faz imperfeito; ou esteja antes do verbo,
ou depois do verbo: ex. _Aeibe o-ço-bo-mo_.
_Temone_, Para bem ser, com gerundio. _Tetemo_,
_Teraùmo_, _Terautè o-ço-bo_. Ó se elle hora fosse, ou para
bem havia de ir.
_Compara-se o Gerundio com o Conjunctivo._
Em alguns modos de fallar he duvidoso se havemos de usar de Gerundio,
se de Conjunctivo, por serem semelhantes as linguagens, v. gr. nestes
modos. Indo eu encontrei vosso irmaõ: morrendo vosso pai fiquei
desamparado. He duvida sobre aquellas palavras, Indo eu, e morrendo
vosso pai, se haõ de estar no Gerundio, se no Conjunctivo. Seja pois
esta regra.
Quando a mesma pessoa do mesmo numero, he a que faz em ambos os verbos,
devemos usar do Gerundio como na primeira oraçaõ, Indo eu, encontrei
eu mesmo. _Gui-xo-bo a-ço-baitî dere-quijra_; mas quando a pessoa
se varia, ou pelo menos no numero, usamos de Conjunctivo como se
vê na segunda oraçaõ. _De-r-uba r-eõ-neme xe-po-r-eauçub_: Da
mesma maneira sendo a segunda pessoa do singular, e do plurar, ex.
_De-r-uba reõ-neme, pepo-r-eauçub_.
_Da collocaçaõ das partes da oraçaõ entre si._
O uso ensinará a boa collocaçaõ das partes da oraçaõ entre si; mas
apontaremos aqui algumas que pedem certos lugares, assim como vemos no
latim, que esta preposiçaõ _Tenus_, sempre se põe depois do nome
que rege; e seria erro intoleravel mudar-lhe o sitio, pondo-a antes do
nome como as outras.
Primeiramente o nome, ou pronome em respeito do verbo podem estar antes
ou depois, ex. _O-ço Pedro_, _Pedro o-ço_, _Yxe ai-co_,
_Ai-co yxe_.
Na terceira pessoa relativa commummente o nome, ou pronome precede o
verbo, ex. _Coriteî Pedro ruri_, _Eboquei xe-ço-u_.
Os relativos sempre se collocaõ depois do nome que relataõ, como a
ordem pede; mas se o nome, ou pronome que ha de ser referido, estiver
junto do relativo, o relativo precederá, ex. _Ae abá oçóne_. Esse
mesmo homem irá.
O adverbio em quanto tal, póde preceder, ou postpor-se commummente.
_Coriteim a-ço_, ou _A-ço coriteim_.
A preposiçaõ em quanto tal, sempre se postpõe; e por isso se disse,
que melhor se chamariaõ postposições, que preposições. _Tupana rece
ai-ço_, _A-ço de çui_, &c.
Das interjeições algumas sempre se postpõe, ex. _Mã_,
_Temomã_, _Açomo mã_, &c. Outras saõ varias na collocaçaõ.
Das conjunções algumas se antepõe, ex. _Aeibe_, _Memete_,
_Memetipo_, _Temone_, _Teipo_; mas sempre fica já alguma
oraçaõ atráz, que se ata com a de diante.
_Pe._ Esta nota de interrogaçaõ _Pe_, sempre se postpõe;
mas com advertencia, que se na oraçaõ houver adverbio, sempre se põe
depois delle immediatamente, ex. _Marape ore-ico?_ Que fazeis?
_Erimbaepe ere-iur?_ Quando vieste? E naõ havendo adverbio
por-se-ha junto do nome, ou do verbo, sobre cujo significado cahe a
dúvida v. gr. nesta pergunta _Xe-pe a-çope?_ A dúvida he, se
hei de ser eu o que ha de ir, ou outro. E por isso se põe a dicçaõ
_Pe_ junto ao pronome _Xe_; mas se a dúvida fora sobre haver
de ir, ou naõ haver de ir, disseramos: _A-ço-pe ixe-ne?_ hei de eu
ir, ou naõ?