EU E TU

Dois! Eu e Tu, num ser indissoluvel! Como

Brasa e carvão, scentelha e lume, oceano e areia,

Aspiram a formar um todo,--em cada assomo

A nossa aspiração mais violenta se ateia...

Como a onda e o vento, a lua e a noute, o orvalho e a selva

--O vento erguendo a vaga, o luar doirando a noute,

Ou o orvalho inundando as verduras da relva--

Cheio de ti, meu ser d'effluvios impregnou-te!

Como o lilaz e a terra onde nasce e floresce,

O bosque e o vendaval desgrenhando o arvoredo,

O vinho e a sêde, o vinho onde tudo se esquece,

--Nós dois, d'amor enchendo a noute do degrêdo,

Como partes d'um todo, em amplexos supremos

Fundindo os corações no ardor que nos inflamma,

Para sempre um ao outro, Eu e Tu, pertencemos,

Como se eu fôsse o lume e tu fôsses a chamma...

Sol de Inverno ultimos versos : 1915 · 第 39 / 106 题