Aqui vem collocar-se debaixo da tua protecção um livro que te é
offerecido por aquelle timido rapaz, que te foi procurar ha tres
annos, para te ler uns versos, que tu acolheste tão benevolamente, e
a quem fizeste n’um dos teus deliciosos folhetins uns prognosticos
tão lisongeiros. Não sei se a tua prophecia está em caminho de se
realisar; sei que o teu protegido entrou na carreira litteraria, cujas
portas lhe abriste doirando-lh’as com a luz já então prestigiosa da
tua gloria, enflorando-lh’as com as grinaldas sempre viçosas do teu
talento; sei que seguiu essa estrella fatal, a cuja influencia não póde
eximir-se mais quem se deixou arrastar pelo seu magnetico fulgor; sei
que, desejando mostrar-te a sincera amizade que te votou, e a gratidão
que sente pelo benevolo acolhimento que outr’ora lhe fizeste, e pelas
provas de constante estima que lhe tens dado, vem dedicar-te um dos
pobres livros que é agora destino seu arrojar á voragem da publicidade.
Acolhe-o bem. Elle pouco vale. Sei que te poderia e deveria talvez
offerecer flor mais fragrante do que esta pobre _Flor Secca_, secca e
sem perfume como a phantasia as produz emquanto a mão insaciavel do
jornalismo as arranca sem descançar da hastea. Mas grassa actualmente
na nossa litteratura uma tal epidemia de odiosinhos e invejas, de
cumprimentos feitos cara a cara compensados por insultos escondidos
na sombra, que tive pressa de te dizer bem alto deante de amigos e
inimigos que me ufano de prestar publicamente homenagem ao teu talento,
um dos mais sympathicos da nossa terra, e ao teu caracter, um dos mais
nobres e leaes que tenho encontrado na minha carreira litteraria.