Job cap. XXIX v. 18

As pequenas composições, que hoje principiâmos a publicar, são de um

homem, que nunca do mundo quiz mais do que a tranquilla obscuridade, que

faz de ordinario o supplicio de tantas vaidades. Ministro sincero de um

Deus de paz, assentou-se aos pés da cruz e d'ali viu aproximar o inverno

da velhice, com a mesma serenidade com que tinha visto passar as

illusões da juventude, e com que havia atravessado os perigos da edade

viril. Satisfeito com a sua pobreza, não invejava (se é que invejou

alguma cousa!) senão a uncção apostolica e a eloquencia persuasiva dos

primeiros confessores da fé nas grandes epochas da regeneração moral do

mundo. Chegado quasi ao termo do seu desterro, quando a hora da

liberdade estava a soar, reclinou a cabeça para acordar sem dôr na

manção do jubilo, patria suspirada de suas mais doces esperanças, unica

impaciencia de uma alma, que longe da morada celeste se entristecia

captiva.

A virtude n'elle era risonha e desassombrada. Nascia de dentro, não

aspirava a grangear applausos, nem se desvanecia com os respeitos

mundanos. Se alguma vez peccou foi por excesso de bondade. Nunca ouviu

queixas que a sua bocca se não abrisse para as suavisar, nem viu

lagrimas, que a sua mão as não enxugasse logo. Por isso em muitas

occasiões, elle, o ancião experimentado, revellava a simplicidade da

pomba, enganado pelos artificios dos hypocritas. Por mais que o

advertissem, a sua caridade não se cansava, e embora faltasse a si,

nunca faltou aos pobres. Se o convenciam de erro, se lhe mostravam a

illusão, sorria-se, e respondia: «Louvado seja Deus! Ainda bem que até

me deu para esses!» Dito isto cheirava com pausa a sua pitada de

esturro, e ia catar, ou alporcar os craveiros, até o relogio do

estomago, unico relogio que havia em casa, o avisar de que eram horas da

refeição. Vinha então recolhendo-se de vagar, alargava o passeio pela

cosinha, rondando o almoço ou o jantar, não sem se arriscar a alguma

jaculatoria da tia Brizida, matrona sexuagenaria, que tinha a seu cargo

a economia domestica e o baixo e mixto imperio da dispensa e da

capoeira.

A ultima doença do padre Vigario, occasionou-a o zelo pelo serviço

d'Aquelle, que nunca fez tambem esperar os desvalidos. Por baixo de

immensa cerração, caindo a chuva em torrentes, e soprando o vento, frio

e agudo, metteu-se á meia noute ao caminho da serra, para levar as

consolações da Egreja a uma de suas ovelhas, que agonisava em

desabrigada choupana. Á volta o corpo tremia sacudido por uma sesão de

febre, e o rosto vinha mais pallido, do que a face de um moribundo.

Deitou-se para não se tornar a levantar.

Ferido no seu posto, como soldado intrepido, elevou o espirito, abençoou

a enfermidade, e bem com Deus e com os homens, ao terceiro dia adormeceu

para sempre. O Vigario levou todos os bens comsigo. Para se sepultar foi

preciso que os visinhos fizessem uma derrama. Mas em compensação nunca

houve funeral tão rico de prantos e louvores. Despovoaram-se os logares

da freguezia e dos arredores para o acompanhar, e quando o corpo saiu do

presbyterio, o chôro de toda a aldeia honrou aquellas cinzas tão amadas.

Com razão! Não era o velho parocho o pae, o amigo, o bemfeitor de todos?

Em vida constituira os pobres seus herdeiros, por isso não deixava de

seu mais do que a sobrepeliz e a batina remendada, em que o

amortalharam, e o crucifixo de marfim, que unira ao coração na

derradeira despedida.

O premio não foi só a corôa de gloria!... Por mais desvairada, ou

corrompida, que uma geração corra ao precipicio, os exemplos salutares

sempre se lhe gravam na lembrança, e a rudeza dos camponezes, apezar dos

vicios esquecidos nos idilios, não é usualmente a que resiste mais á

proveitosa lição das boas obras. Pelo menos assim aconteceu na parochia.

A ama, á qual o Vigario legára sómente a memoria de suas virtudes,

encontrou logo a hospitalidade, affectuosa, não de um, mas de muitos

habitantes, que se lhe offereceram para acolherem sua velhice. O cão do

Pastor, companheiro constante de tantos dias de fadiga, tambem achou

quem se condoesse, e o fosse levantar da sepultura sobre que gemia

saudoso. As pobres alfaias da casa, o breviario usado, os poucos livros

da estante, e um, ou outro movel de seu uso quotidiano, disputados como

reliquias, repartiram-se á sorte por evitar contendas, e hoje mesmo,

depois de largos annos, o tempo, que tudo gasta, não amorteceu ainda a

recordação do sacerdote exemplar, cujos ossos repousam á sombra dos

cyprestes plantados pelas suas mãos no cemiterio da aldeia.

Este foi o homem e o ecclesiastico venerando.

Do poeta, que era, que sempre tinha sido, quasi sem o cuidar, raras,

rarissimas pessoas dariam noticia. Fugia da fama que dão as lettras, com

um cuidado egual pelo menos áquelle, com que se furtava envergonhado ao

pregão da sua caridade. Pejava-se tanto de si, e por tal receava ser

visto, que se a direita se escondia da esquerda nas esmolas, a penna não

se occultava menos discreta quando escrevia. O padre prior tinha pouco

vagar para livros volumosos. Nos curtos ocios que as obrigações lhe

concediam, distrahia-se deixando vaguear a phantasia pelas recordações

do passado, enganando assim as tristesas do presente, ou ligando em

algumas scenas soltas as remeniscencias, ainda vivas, dos dias da

mocidade. E em quanto o vento lhe sacudia os caixilhos das janellas, e a

chuva, chapinhando, lhe fustigava os telhados, enchia elle uma ou duas

paginas á luz do ponderoso candieiro de latão amarello de tres bicos,

talvez o traste mais luxuoso de toda a sua mobilia. Assim nasceram em um

recanto obscuro da aldeia estes _Contos e Lendas_, escriptos sem emendas

e com admiravel rapidez, em lettra grada, direita, e garrafal, para

regosijo dos compositores, que cegam a miudo os negalhos de missanga de

certos auctores, muito nossos conhecidos, aos quaes Deus não castigue em

desaggravo de suas victimas.

Se o padre Vigario vivesse, ainda não soltava seguramente da gaveta os

papeis fechados a tres voltas e meia de chave. Foram precisas repetidas

instancias para m'os confiar. Poucos mezes antes da sua morte é que

alcancei licença para fazer d'elles o uso que julgasse mais opportuno,

com tanto que o nome do verdadeiro auctor nunca figurasse «porque dizia

elle, não são cousas estas para um sacerdote da minha edade matar o

tempo, quando podia rezar, meditar as suas praticas do domingo, ou

examinar a sua consciencia. Mas não sei como isto é; assim que me sento

diante da mesa e pego da penna, não posso valer-lhe, e apesar de todos

os protestos, entram commigo as malditas historias, e não ha

resistir-lhe. Se fosse crendeiro jurava que me faziam bruxarias.»

A bruxaria era o que hoje se chama a vocação! A sós commigo perdia de

vista as realidades da vida, e quasi sem o saber, deixava-se arrebatar

pelas visões do mundo phantastico, aonde antes d'elle já se entranharam

muitas outras que a admiração saúda como principes da intelligencia.

Vingava-se porem d'este máu sestro (era a sua phrase) pondo de lado as

escriptas frivolas apenas as acabava e nunca mais fallando d'ellas.

Rabiscava umas tantas folhas de papel (com este desprezo tratava a

inspiração!) e sem as tornar a ler, juntava o novo caderno ao antigo

maço. Uma fita de nastro vermelho atava tudo. Esquecia-se depois d'este

e dos outros até ao inverno seguinte, em que voltava ás suas historias

com extremo pavor da tia Brizida, confidente dos seus segredos, a qual

representava nos serões litterarios do presbyterio o papel, que a

tradição attribue á famosa ama de Molière. Em lisa fé temia ella

devéras, que o demonio perdesse um dia a paciencia á força de

esbofeteado, e de escarnecido pelo Vigario n'aquelles papeis, e que se

desforrasse torcendo o pescoço ás gallinhas e frangos, ou chupando o

sangue aos coelhos, transformado em raposa ou em ginete. Nunca acordava,

que não esperasse encontrar a capoeira vasia! Se é bom estar bem com

Deus, dizia, não é máu estar em paz com o demonio. A casa do presbyterio

não era grande, nem espaçosa, mas sorria de longe á vista caiada por

fóra e rodeada de canteiros de flôres. Vestia-se de um tal ar de festa,

que namorava pela bellesa rustica e logo a distancia promettia a

hospitalidade que nos dias do Prior estava convidando de longe com os

braços abertos a quantos lhe batiam á porta. Situada na corôa de um

outeirinho, alvejava por entre a folhagem prateada das faias, cujos

troncos lisos e direitos o vento meneava graciosamente. O pateo

ajardinado, cercado de alegretes, era todo viço e frescura, e tres cepas

enroscadas e collossaes, cobriam com a sombra de seus pampanos as

parreiras, aonde amadureciam na estação os mais formosos cachos de

moscatel e de ferral-tamara. Em volta da risonha morada, penduravam-se

as vinhas pelas encostas das collinas até ás margens de um ribeiro,

toldado de salgueiros e chorões que se torciam para beijarem a agua. Por

entre as vinhas apparecia em malhas o verde mais fechado das hortas

mettidas entre vallados de piteiras, em quanto ao lado sussurrava a

levada correndo pelas regueiras. Os pomares, copando-se, encantavam de

espaço em espaço os olhos offerecendo-lhes bosques fechados, e

embalsamando tudo em roda com sua fragrancia. Subindo pelos outeiros,

que ondeavam desde a planicie até ás montanhas torreadas no extremo

horisonte, os troncos nodosos e robustos das oliveiras trepavam de

socalco em socalco até á cortina de pinheiros, cujas cabeças, de um

verde triste, a viração balouçava lá em cima meneando-as entre mormurios

ao cair da tarde.

A ribeira vinha de cima, e ora rebentando entalada, ora espraiando quasi

adormecida, na areia alva e fina do leito, despenhava-se mais abaixo com

estrepito, entrando no logar opulenta com as aguas recebidas. Aquelles

pampanos cingidos de arvoredos, aquelles valles viçosos de hortas e

pomares; os variados tons que zebravam as encostas dos montes e

collinas, desde a esmeralda viva dos prados até ao louro cendrado das

paveias; os rosmaninhos e as boninas esmaltando as veigas; o rio

precipitando-se aqui, mais adiante correndo manso e limpido e depois

esperguiçando-se sobre as relvas; de dia o sol inundando de luz dourada

todo o quadro, de noute o clarão da lua tocando-o de meiga melancolia,

compunham um espectaculo de tanto enlevo que a vista fugia com a vontade

e com o coração para aquelles casaes debruçados das collinas fazendo

nascer desejos de pedir pousada em algum d'elles, para vêr romper o luar

por entre o arvoredo e de ouvir brincar a aragem com os ramos aos

primeiros raios brancos do alvor matutino.

Era sobre tudo ao anoutecer que a aldeia se animava. As chaminés

expelliam o fumo em penachos caprichosos; os cepos estalávam no lume; e

as creanças, como enxame buliçoso, brincavam defronte das portas. As

mães cosinhavam a ceia, em quanto os velhos e os mancebos descansando do

trabalho, aguardavam encostados, ou assentados, a hora proxima da

refeição e do repouso.

Que saudade causa no tumulto das cidades a ideia do pôr do sol nas

aldeias! N'esta occasião, em que a fadiga do corpo como que faz mais

docil o espirito, é que o padre Vigario, desembocava de uma das

azinhagas com o seu Horacio, ou o seu Salustio debaixo do braço, e vinha

conversar o seu pedaço com os anciãos da terra, para saber as novidades,

e espreitar as rixas e discordias, afim de as compôr. Correndo a mão

pela cabeça das creanças, ralhando com umas, afagando outras,

informava-se de tudo, sanava as malquerenças, e conseguia pelo respeito

de seus annos e qualidades, que os moradores da parochia formassem uma

só familia. Mestre e passa-culpas eterno dos rapazes, estes, mal o viam,

voavam em bandos a agarrar-se-lhe á loba e ás mãos, por entre vozes e

saltos com uma algazarra, que dava rebate a toda a aldeia. No verão, nos

dias de maior calor, era sempre certo o prior, á tardinha, debaixo da

parreira, que lhe cobria a varanda, com o livro aberto e os oculos de

prata, que lhe escorregavam até á ponta do nariz. Lia e passeiava. De

tres, ou de quatro em quatro voltas, parava, batia na caixa de tartaruga

e sorvia com delicias uma pitada, deitando os olhos pelos canteiros a

vêr se alguma flôr carecia de rega, ou de amanho. Quando o sol declinava

punha na cabeça o venerando tricornio, pegava da bengala de canna da

India e castão de prata, e sahia a tomar um pouco de ar. Era a phrase

modesta, empregada por elle para designar as suas marchas forçadas de

legua, legua e meia, e ás vezes duas leguas por montes e quebradas.

Quando o encontrei por acaso, e travei conhecimento com elle, poucos

homens vigorosos, na flôr da edade, poderiam acompanhal-o no seu passo

largo e egual. Abordoando-se á bengala por costume e não por

necessidade, despejava caminho como andarilho mais valente. De estatura

elevada, secca, mas encorpada, carregava sem esforço com o peso de uma

velhice verde e alegre. Nos olhos cinzentos e vivos brilhava um toque de

finura risonha, e a bocca não pequena, mas engraçada, animava o rosto e

dava-lhe expressão agradavel, avivada de constante jovialidade. A

brandura do animo correspondia ás promessas da physionomia, e o tracto

intimo denunciava as prendas d'aquelle caracter, honrado, severo só

comsigo, inflexivel e incapaz de se torcer em pontos de consciencia ou

de melindre. Na convivencia com o padre Vigario, aprendi mais do que me

ensinariam muitos annos de leitura. Convalescente e magoado, devi-lhe a

saude do corpo, a saude e o conforto da alma.

Este velho desterrado por gosto e eleição sua em um canto do mundo,

n'uma aldeia ignorada, era mais sabio na sua humildade, do que muitos

que se pavoneiam de lidos e eruditos. Em dous preceitos unicos encerrava

toda a sua philosophia:--paciencia e amor. Com a primeira supportava os

trabalhos e os revezes sem desmentir a serenidade da alma; graças ao

segundo, o coração, purificado pelos annos, abria-se a todos os

sentimentos nobres, e palpitava com orgulho memorando as glorias da

patria. Fiado nos pronuncios do futuro mitigava a dôr das desgraças

presentes, com as esperanças de melhor porvir, tão crente e enthusiasta,

como se acabasse de entrar na epocha das illusões. Entendia e applicava

o Evangelho pelos affectos ardentes da sua alma, abraçando como filhos e

irmãos todos os afflictos e necessitados; e pelo amor, finalmente, não

perdoava mas agradecia as offensas, as injustiças, e até as calumnias,

provações da virtude, não se lembrando d'ellas senão para pagar o mal

com o bem.

Horacio, Salustio e Tacito eram os seus auctores mimosos, a par de

Camões, de Ferreira e de Sá de Miranda. Familiar com os escriptores da

antiguidade, e com os modernos de mais nome, seria preciso colhel-o

desapercebido, e espertar a veia natural e espirituosa da sua

conversação, para se apreciar devidamente os thesouros encobertos

d'aquella vasta erudição e os prodigios de uma memoria em verdade rara.

As citações acudiam-lhe espontaneas; os ditos agudos e as anecdotas

encadeavam-se; as scenas e os quadros pintados com vivesa admiravel,

succediam-se e ligavam-se. Parecia que a sua voz ressuscitava de repente

os homens e as cousas, que as cinzas dos grandes varões de Roma e da

Grecia, dos heroes de todos os tempos e de todas as nações tornavam a

juntar-se, a tomar corpo e a animar-se e que os viamos mover e fallar

como se os estivessemos contemplando nos dias do seu esplendor. As

ruinas de Athenas, as do velho Lacio, os monumentos da meia edade, e os

episodios de epochas mais proximas, evocados pelo encantamento

irresistivel d'aquella imaginação creadora, como que volviam subitamente

ao primeiro sêr, apparecendo uns em toda a formosura da arte classica,

erguendo-se outros pela religiosa inspiração da arte christã.

Á noute era um prazer e um exemplo, observal-o sentado na immensa

poltrona de couro, com a ama á direita e o cão somnolento á esquerda, a

velha cabeceando de rocca á cinta e engrolando Padres-nossos, o animal

piscando os olhos com uma orelha fita e outra derrubada. Dos dous

companheiros do serão o mais attento e sisudo era de certo o cão!

Medindo sempre o dono com a vista, o mastim nunca perdia occasião de lhe

coçar o focinho pelo joelho, quando suppunha o ensejo favoravel. O

bofete de pau santo e pés torneados, o candieiro de latão e a anarchia

dos papeis completavam o pitoresco painel do lar domestico. Passada uma

hora, o unico que não dormia era o Vigario; a sua penna continuava a

ranger sobre o papel, ao som dos roncos assobiados da tia Brizida.

Quando as palpebras se lhe faziam pesadas, o prior arrastava a cadeira,

mettia dous dedos na argola do candieiro, e recolhia-se ao quarto no

meio das recommendações da ama sobre os perigos do fogo, sobre a falta

de cuidado no abafo, e sobre mil outros casos provaveis. Estas

recommendações não se calavam, senão quando a respiração alta e

compassada do ouvinte convenciam a oradora do effeito suporifero da sua

eloquencia.

Em um d'estes serões, a que assisti, caiu o dialogo sobre não sei qual

de nossos reis, e o Vigario innocentemente deixou escapar o segredo das

suas vigilias. A curiosidade de comparar a escripta do solitario com o

seu talento de narrar, obrigou-me a pedir-lhe, sem attender a desculpas,

que me lê-se alguns _Contos e Lendas_. Oxalá que o leitor seja do meu

voto. Ainda me não arrependo do que disse d'elles ao auctor, que tremia,

como se a minha opinião valesse alguma cousa. Não os reputei perfeitos,

longe d'isso, mas asseverei-lhe que seriam talvez folheados sem fastio.

Arriscaria um juizo temerario?!... No seu acanhamento o prior sempre

resistiu a apurar o manuscripto para a imprensa, e quando m'o entregou,

pouco antes da sua morte, foi com a final e irrevogavel condição de

nunca descubrir o nome do auctor, se me atrevesse a importunar os prelos

(assim se expressou) com as puerilidades de um velho creança. Possam os

_Contos e Lendas_ do padre Vigario, cuja ultima vontade estou cumprindo,

merecerem alguns momentos de attenção, não por si, mas pelas memorias

que recordam. Correm já sujeitos ás vecissitudes da publicidade tantos

filhos espurios da mesma invenção, que mais esta, entrando no mundo das

lettras, não usurpará de certo logar, que pertença de direito ás obras

primas dos poetas festejados. Em todo o caso, sem audacia não ha

fortuna. Lanço-a á corrente!... A sorte bôa, ou má que faça o resto!

Valle, 30 de septembro de 1866.

Contos e Lendas · 第 7 / 38 题