O NOSSO INTUITO

Se quiséssemos entrar em minudéncias de linguajem e defender em todos os

pontos a ortografia que iniciámos, teríamos de escrever um livro de

grosso volume. Se o nosso intuito fôsse ensinar, publicaríamos um

tratado. Mas é diferente o fim dêste escrito, que oferecemos

gratuitamente aos nossos conterráneos, como testemunho de respeito pelas

cousas da nossa pátria: _Damos razão da reforma iniciada e sujeitamos ao

são critério as bases em que esta assenta_. Por êste motivo deixámos de

tratar pontos de que o Congresso terá de se ocupar.

Andam infelizmente esquecidas por alguns escritores regras de gramática,

que, a serem lembradas, os não deixariam cometer erros imperdoáveis.

Temos visto ortografar (e até pronunciar!!), _passeiando, passeiata,

ideiou, receiará, feichara_, etc., em vez de _passeando, passeata,

ideou, receará, fechara_, etc. É certo que a maioria dos leitores sabe

que, por motivo de a acentuação tónica se fazer nas tres pessoas do

singular e terceira do plural de todos os presentes dos verbos, como

_idear, recear, passear_, etc., únicamente nessas fórmas pessoais

aparece o ditongo _ei_ no radical: _passeio, passeias, passeia,

passeamos, passeais, passeiam_;--passeava, passeavas_, etc.;--_passeei,

passeaste_, etc.;--_passearei, passearás_, etc.;--_passearia_,

etc.;--_passeia tu, passeie ele, passeemos nós, passeai vós, passeiem

eles;--que eu passeie, que tu passeies, que ele passeie, que nós

passeemos, que vós passeeis, que eles passeiem;--passear, passeando,

passeado_. O radical português é _passe-_.

É claro que tratar de assuntos como êste não é objecto de uma símplez

circular. E se o leitor houver notado que usámos nela de modos de

ortografar para que não encontra explicação nos princípos que ficam

estabelecidos, atribua o facto a não caber a explicação suficiente nos

princípios jerais. Cremos que as bases, como ficam postas, constituem

método sem contradições:--se o Congresso fôr até suprimir (como julgamos

que deve suprimir) as letras consoantes inúteis nos nomes próprios e nos

de família, assinaremos sem dobrar as consoantes _nn, ll_ dos nossos

nomes.

Não nos preocupa uma idea preconcebida. Não nos domina um subjectivismo

apaixonado. Desejamos que no país todo se una para discutir de boa fé

quem tiver estudado o problema, e que êste se resolva estabelecendo-se

ORTOGRAFIA PORTUGUESA.

+ALGUNS OUTROS TRABALHOS PUBLICADOS PELOS MESMOS AUTORES+

Bases da ortografia portuguesa · 第 27 / 29 题