1.º Os homónimos confundem-se umas vezes na escrita do português como na
sua pronúncia; exemplos: _cedo_ (verbo e advérbio); _conto_ (verbo e
nome): _são_ (verbo e adjectivo). Outras vezes distinguem-se com
exactidão na escrita, embora não se distingam em todas as pronúncias;
exemplos: _vez, vês; cem, sem; coser, cozer; sessão, cessão; -passo,
paço_,--parónimos no dialecto em que se faça diferença na articulação de
_s_ para a de _ç_ e para a de _z_. Podem aínda os homónimos
distinguir-se na escrita e não se distinguirem em pronúncia nenhuma:
_houve, ouve; dê-se, dêsse_.
_Escólio._--Distinguem-se na escrita, mas sem exactidão rigorosa: _hora,
ora; heis, eis_; e por êrro de analojia falsa, _pelo_ cuja orijem é
_per-lo_, que deu _pel lo_ e _pe'-lo_ homónimo, quando se pronuncie
enfáticamente, de _pello_, que etimolójicamente só tem um _l_ e devemos
escrever (como de facto se escreve nesta ortografia proposta) _pêlo_
(cf. _pélo, pelo_).
2.º Os parónimos são perfeitamente distintos na presente ortografia:
_pelo, pêlo, pélo; para, pára; crê, cré; cesto, sexto_ (homónimos em
Lisboa); _fôsse, fósse; fôrça, fórça; sessão, cessão, secção; coando,
quando; quanto, canto; credor, crèdor; incómodo, incomodo; colhêr,
colhér; contrato, contracto; alias, aliás; alem_ (verbo), _além; papeis_
(verbo), _papéis; reis_ (pl. de _rei_), _réis_ (pl. de _real_); _bateis_
(verbo), _batéis; caia, caía_; etc.