O alecrim é uma planta funeraria. Os antigos acreditavam que o aroma do
alecrim conservava os cadaveres, e sob esta crença, queimavam nas
ceremonias funebres quantidades enormes d'esta planta aromatica.
No norte, os que acompanham os mortos á ultima morada, levam comsigo um
ramo de alecrim por ser em virtude da folhagem sempre verde simbolo da
immortalidade.
Os romanos ornamentavam os Lares com alecrim e empregavam-o como meio de
purificação após as festas phallicas, crendo que elle tinha a
propriedade de dar uma mocidade eterna.
Em algumas provincias de França é vulgar a crença de que as flores de
alecrim em contacto com o corpo dão a alegria e felicidade a quem as
traz. Para os cretenses é simbolo da sinceridade.
Dizem que foi sobre elle que a Virgem Maria estendeu a seccar as
primeiras roupas que vestiu a Jesus.
Na Andaluzia é tambem o alecrim muito estimado, pelo motivo de ter
escondido a Virgem quando com o divino filho fugia á perseguição dos
soldados de Herodes.
Na Sicilia corre que é no alecrim que se escondem as fadas disfarçadas
em serpentes.
É tambem originaria d'aquelle pittoresco recanto d'Italia a seguinte
lenda relativa ao alecrim:
--Uma rainha esteril tanto contemplou os numerosos ramos e as verdes
folhas de um copado alecrim que concebeu d'elle, tendo um pequenino
alecrim, que plantou em luxuoso vaso regando-o quatro vezes ao dia com
leite. Um sobrinho da rainha, intrigado com o caso, roubou o vaso e
conservou a planta, regando-a com leite de cabra. Um dia, que estava
tocando deliciosamente flauta, viu sahir do centro do alecrim uma
formosa princesa, de quem ficou logo apaixonado.
Obrigado, porém, a partir para a guerra, recommendou instantemente a
planta ao jardineiro do palacio, para que olhasse por ella com todo o
cuidado. As irmãs do principe encontrando a flauta foram tocar para
junto do vaso, e vendo sahir do alecrim a formosa princeza, ficaram tão
cheias de inveja que a agarraram e desapiedadamente a moeram com
pancada. A princeza desappareceu e o alecrim começou logo a murchar. O
jardineiro escondeu-se para fugir ao castigo que receava, mas indo uma
noite inexperadamente a casa, vê a mulher em colloquio intimo com um
dragão, que lhe dizia que no alecrim estava encantada uma princeza, que
morreria com a planta, se esta não fosse regada com gordura humana.
O jardineiro, então, entra de improviso, mata o dragão e a esposa
culpada, derrete-os e com a gordura rega o alecrim. O encanto foi
desfeito e a princeza readquiriu a liberdade e a saude desposando pouco
depois o principe, a quem amava.