PINHEIRO.

O pinheiro é simbolo da geração e da immortalidade.

Da geração pela fórma do fructo que os antigos pensavam representar uma

parte do corpo de Atys, sacerdote de Cybele, que violando o voto de

castidade feito á deusa, mutilara-se, sendo em seguida transformado por

Cybele em pinheiro.

Da vida eterna por causa da folhagem sempre verde, mesmo sob as maiores

neves, da solidez da madeira e por fructificar em pleno inverno.

Na Russia enfeitam as mesas dos banquetes nupciaes com ramos de pinheiro

e no Japão os noivos bebem tres pequenas taças de _saké_ diante de um

pinheiro, que significa a fidelidade conjugal e a perpetuidade do genero

humano, a imagem de um grou simbolo tambem da fidelidade, a de uma

tartaruga como desejo de longa vida, pois os orientaes acreditam que

este chelonio vive dous mil annos, e de um grupo representando um velho

e uma velha, secularmente celebres por causa do intenso amor e da

harmonia em que vireram durante toda a longa vida.

A resina do pinheiro é empregada desde tempos immemoriaes como o melhor

remedio para as doenças pulmonares, e dos fructos do pinheiro extrahiam

tambem os gregos e os romanos um remedio afamado para o mesmo fim.

Os vinhos eram outr'ora conservados por meio de resina e de pinhas que

deitavam de infusão nas vasilhas onde elle era guardado.

Ha na Roumania uma lenda que diz que morrendo de pesar dois amantes

violentamente separados pelas respectivas familias, e sendo sepultados

no mesmo cemiterio foram transformados um em pinheiro e outro em vide,

continuando a enlaçar-se ternamente mesmo depois da morte.

O christianismo consagrou tambem o pinheiro. É a arvore empregada de

preferencia na noite de Natal, a arvore querida e amada pelos povos do

norte que a vêem verdejante e cheia de fructo na epocha em que as neves

fazem desapparecer a vegetação da superficie da terra.

Parece que o uso do pinheiro como arvore do Natal vem da seguinte e

poetica lenda:

Quando a sagrada familia fugia á perseguição de Herodes, apertada de

perto pela soldadesca, chegou a um descampado onde havia apenas um

pinheiro de quem a Virgem, chorosa, supplicou protecção.

A arvore, compadecida, curvou os ramos até ao sólo e escondendo Jesus no

centro de uma larga pinha retomou a primitiva posição natural. Passado o

perigo Jesus abençoou a boa arvore, dando-lhe não só a particularidade

de vegetar em todos os terrenos e resistir a todas as intemperies, mas

tambem permittindo-lhe que em recordação da sua demorada estada na pinha

esta conservasse, para sempre, no interior o signal da divina mão que a

abençoara.

Lendas dos Vegetaes · 第 51 / 74 题