No numero 4, vol. VI, outubro de 1889 da _Revista de Guimarães_, o dr.
Abilio de Magalhães Brandão descreve-nos assim a poetica lenda das maias:
«Houve antigamente um rei chamado Herodes que ao saber que tinha
nascido, em Belem, um menino, a que o povo, por toda a parte,
chamava o rei dos Judeus, tão furioso ficou que ordenou
immediatamente aos seus soldados que degolassem todas as creanças
menores de dous annos, que encontrassem em Belem.
Herodes presumia que o rei dos Judeus não escaparia d'esta
carnificina,--tal era o odio de morte que votava ao menino--que os
prophetas tinham vaticinado rei de Israel. Ao anoutecer do dia 30 de
abril, cercaram os judeus os muros de Belem, mas esperaram pela
madrugada do dia 1.º de maio para começarem a dar cumprimento ás
ordens do malvado rei. Apesar de todas as providencias e cautelas,
ainda receiavam os judeus que lhes escapasse o menino e por isso se
informaram logo da sua morada--que tinha á porta um _ramo de maias_
como signal,--mas, ao romper do sol do 1.º de maio, todas as casas
appareceram milagrosamente com os mesmos ramos á porta.
Os judeus ficaram tão furiosos que entraram logo em todas as casas e
degolaram todos os meninos, como tinha ordenado Herodes, e só
escapou o que procuravam, porque seus paes, José e Maria, tinham
fugido com elle, ainda de noute, para o Egypto.
Um judeu, que viu passar a mãe do menino, a cavallo n'uma
jumentinha, ainda lhe perguntou o que levava nos braços, envolto no
manto com que se cobria, ao que ella respondeo: «Levo meu filho!»
mas o judeu retorquiu: «Se o levasses não o dirias». E d'este modo,
e pelo milagre das _maias_, salvou-se milagrosamente o rei dos
judeus».