Narciso era um mancebo de uma formosura sem igual, formosura de que se
orgulhava em extremo.
Um dia, debruçando-se sobre um regato, envaideceu-se tanto com a
frescura e correcção do rosto reflectido na agua que se julgou superior
em belleza a todos os sêres celestiaes. Estes, em castigo,
transformaram-o na flôr que em memoria do facto ainda hoje lhe conserva
o nome.
Pausanias diz que Narciso se afogou pensando vêr na agua, onde o seu
rosto se reflectia, a imagem de uma irmã bem amada.
Gubernatis crê que esta lenda representa o sol poente que contempla no
espelho do mar, onde vae desapparecer, a imagem de sua irmã a lua.