PAPOULA.

N'aquelles bons tempos em que os deuses desciam á terra a confraternizar

com os humanos, vivia nos Alpes um rapaz filho de gente pobre mas que

pela sua bondade e pelo carinhoso disvelo com que sabia velar á

cabeceira dos doentes era querido e estimado por todos.

Tinha a grande e apreciavel arte de por meio de doces cantares saber

adormecer aquelles que eram apoquentados pelas mais terriveis e rebeldes

insomnias, de modo que os seus conterraneos lhe não deixavam um momento

só de descanso.

Em qualquer adoecendo, a familia ia logo têr com o pobre rapaz, que não

podendo resistir ás supplicas lá se installava junto dos doentes,

emballando-os com as suaves melodias que chamam o somno e que elle sabia

dizer como ninguem.

Mas não podendo resistir a tão excessivas e continuadas fadigas e

vigilias, foi pouco a pouco enfraquecendo, até que um dia se extinguiu

ao caír da tarde, quando o sol morria no extremo horisonte...

Então os deuses para premiarem as boas acções do que morrera praticando

o bem, tornaram-o immortal, transformando-o n'uma planta, na papoula, a

quem deram a principal virtude pela qual os doentes o desejavam sempre

junto a si, a de fazer esquecer o soffrimento por meio do somno.

Lendas dos Vegetaes · 第 14 / 74 题