DE NOITE

Quando me deito ao pé da minha dôr,

Minha Noiva-phantasma; e em derredor

Do meu leito, a penumbra se condensa,

E já não vejo mais que a noite imensa,

Ante os meus olhos intimos, acêsos,

Extaticos, surprêsos,

Aparece-me o Reino Espiritual...

E ali, despido o habito carnal,

Tu brincas e passeias; não comigo,

Mas com a minha dôr... o amôr antigo.

A minha dôr está comtigo ali,

Como, outrora, eu estava ao pé de ti...

Se fôsse a minha dôr, com que alegria,

De novo, a tua face beijaria!

Mas eu não sou a dôr, a dôr etérea...

Sou a Carne que soffre; esta miseria

Que no silencio clama!

A Sombra, o Corpo doloroso, o Drama...

Elegias · 第 26 / 41 题