Não tencionava publicar este livro. A dôr que ele contem, muito embora
arrefecida ao tomar expressão verbal, é sagrada para mim.
Estes versos, nascidos da morte d'uma creança bem amada, fôram escriptos
para seus Paes e Avós, para as pessoas que a rodearam de carinhos durante
a sua doença e para os meus intimos amigos de alma.
O soffrimento verdadeiro não ama a luz do mundo. Quem chora, esconde
o rôsto. A dôr oculta-se por conhecer a desharmonia de que é feita.
Mas quando soube da subscripção nacional aberta a favor do divino Poeta
da "Historia de Jesus" _para as creancinhas lerem_, resolvi pôr á venda
este livro, com o fim de inscrever o seu producto, ainda que modesto,
na subscripção referida.
Fui _eu_ que resolvi?... Gomes Leal verá no producto das "Elegias" não
a minha pessoa, mas o proprio espirito d'essa Creança...
É ela a agradecer-lhe a dedicatoria do Poema, sublime de emoção
religiosa, onde murmura, eternamente viva, a alma de Jesus.
Março de 1913.
[Nota do Transcritor: Aqui surge a assinatura do autor.]