E dizia o coronel a seu irmão:
--Deus me livre de ser cruel para minha filha... Os homens muito
experimentados na desgraça vêem tudo pela face peor. Póde ser que sejam
dignos um do outro. Casem embora, e queira o céo que eu me arrependa mil
vezes de ter agourado mal d'este casamento. Diz a Alvaro que lhe dou
minha filha, e diz-lhe mais--que vae com ella a minha vida, vida que eu
lhe dou, pois antes quero perde'-la, se hei-de um dia vê'-la infeliz.
Que elle me mate, antes de fazer chorar Maria as primeiras lagrimas de
arrependimento.
--Não sabes como elle lhe quer...--disse o padre.
--Tambem eu queria muito ás flores em quanto o viço d'ellas não
desmaiava na minha mão. Depois, que valia uma flor sem perfume, sem
seiva, amarellecida? Via-a caír sem dó, folha a folha, e, descuidado
d'ella por amor das outras, punha-lhe em cima um pé indifferente.
Compreendes o que é o homem, meu irmão? Melhor o compreenderás assim;
não t'o quero pintar na linguagem propria... Na mão de Alvaro será Maria
o que as flores foram na minha?